Virginia Costa

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

SÃO BENTO DO SAPUCAÍ

Feriado prolongado, pé na estrada, mão no volante e olho na paisagem e nos buracos. Fui passar o Carnaval em São Bento do Sapucaí. Fica na micro região de Campos do Jordão a 886 metros de altitude. A população estimada em 2004 era de 11.207 habitantes.
Abriga um dos pontos mais altos do estado de São Paulo, o complexo do Baú, que é formado por três montanhas de pedra: Bauzinho, Pedra do Baú e Ana Chata.
Carnaval sem glamour mas nem por isso menos divertido. No caminho passei por Santo Antonio do Pinhal e também conheci Gonçalves.
Imagine minha surpresa quando, fazendo uma caminhada, descobri essa linda capelinha. Voltei no dia seguinte para conhecer o artista. É Angelo Milani, que também é pintor e escultor de renome internacional. Sua mulher ajudou também na obra.
Ele começou a faze-la no intuito de acrescentar mais uma opção turística para a cidade. Aos poucos as pessoas começaram a trazer os anjos e santinhos quebrados . O conjunto é encantador.
Com uma carreira consolidada, Angelo fez exposições coletivas e individuais em vários países.
Angelo Milani e eu.
Ele abandonou a engenharia em 1981 para se dedicar exclusivamente as Artes Visuais.
Suas esculturas com recortes de compensado naval são fantásticas.
Adoro esses estandartes!
A cidade é pequena, acolhedora e hospitaleira. Por estar na Serra da Mantiqueira e a cerca de 40Km de Campos do Jordão, oferece clima similar.
Não perca por nada nesse mundo a "empadão mineiro", o irmão nobre da coxinha. É essa bolona aí com 99 % de recheio de frango, massa super fininha. É frito em pequenas quantidades toda hora na lanchonete da rodoviária.
BAIRRO DO QUILOMBO: espaço para artesanato de raiz e resgate de cultura .O povoado data de mais de 200 anos atrás, quando primeiro se formaram as comunidades de escravos fugidos de sua condição desumana de vida, na esperança de construir uma vida melhor. As festas promovidas no bairro são animadas por danças folclóricas dos escravos, música, poemas, missas cantadas, comidas, vestimentas e relações humanas que carregam consigo a nossa própria história.
Foi lá que conheci o atelier de Ditinho Joana, ex-lavrador que abandonou enxada e foice por ferramentas de esculpir.
Iniciou seu trabalho de escultor em 1976 procurando dar forma a um pedaço de raiz que ele próprio encontrou ao capinar. Ele registra com muita sensibilidade a comunidade rural. Autodidata, percebeu que poderia transformar pedaços de madeira utilizando apenas canivete, machadinha e formão improvisados por ele próprio. Ainda hoje, usando as mesmas ferramentas, executa suas esculturas em um único bloco, isto é, sem encaixes ou colagens, somente esculpidas em madeira de lei como o Jacarandá e Pereira. Retirando a casca e a madeira, utiliza apenas o cerne, que por sua rigidez, impede a formação de trincas e carunchos que danificariam suas esculturas. Profundo conhecedor dos antigos aspectos e costumes da vida rural, trasmitiu ao seu filho Adriano Joana todo seu conhecimento e sua técnica de trabalho. Seus trabalhos foram levados para o exterior através de Gianni Gelleni, editor de artes da Bréscia, Itália.

No cartão de visita do Ditinho está escrito: A botinha representa a nossa caminhada da vida. Subi e desci. Andei depressa e devagar. Cansei e descansei. Entristeci e me alegrei, e assim sempre caminhei. Hoje estou gasta e cheia de marcas, mas com certeza valeu a pena.

Ditinho Joana retrata em suas peças, esculpidas em um pau só, o povo antigo da região e suas atividades de trabalho, entre elas, os engenhos de cana-de-açúcar, os alambiques e ainda a bota, ícone da cultura caipira. "As botas, apesar de serem peças menores, são as que fazem mais sucesso. Feita meio rasgada e bem usada, ela demonstra as marcas do sofrimento do trabalhador rural." Ditinho adora uma prosa e o atelier é muito bonito.
Daí eu vi no Restaurante Trincheira, que fica na Pousada Quilombo, essa linda miniatura de pizzaria. Muito realista, charmosa e ainda por cima animada. O artista é Roberto da Rocha.
São várias as opções de hospedagem, desde hotéis mais sofisticados, passando por pousadas aconchegantes, pousadas familiares estilo "albergues" ou ainda moradores que alugam quartos para hóspedes. Esta é a vista que se tem na Pousada do Quilombo.

Nesta mesma pousada fica o MUSEU DA REVOLUÇÃO DE 32 Estrutura construída em pau-a-pique sobre uma trincheira original, nos moldes da época da Revolução Constitucionalista. Conta com fotos de eventos históricos, peças e armas. Acesso gratuito.
Roça Chic. Antiquário e restaurante charmoso, com toques criativos de Angelo Milani por toda parte.

Também não poderia faltar um banho numa das cachoeiras de lá. Bom pra curar ressaca e tirar a urucubaca! hehehe! Ah! meu cabelo ficou super macio depois do banho nessa água fria. A ducha é super forte, se bobear perde o maiô.

Um comentário:

Anônimo disse...

mas faltou você conhecer um senhor também muito bacana que se chama Quim costa e faz carros de boi,ainda artesanal sem o uso de maquinas elétricas, ele é tudo de bom.quando voltar venha conhecê-lo.