Virginia Costa

domingo, 10 de maio de 2009

Campo Grande- MS

Campo Grande foi fundada há mais de 100 anos. Primeiro vieram pra cá os colonizadores descendentes de portugueses, de Minas Gerais, depois, no início do século, vieram os imigrantes de outros países, começando com libaneses, armênios e japoneses, e mais recentemente, na década de 70, os gaúchos, catarinenses e paranaenses do sul do Brasil. Tem um planejamento moderno, só ruas largas e pra todo lado que se olha dá pra ver o horizonte.
Com este céu todo, muita gente daqui jura ter visto ovnis. A Revista UFO, única publicação do gênero no Brasil, é publicada aqui. Nos anos oitenta, no estádio Pedro Pedrossian (Morenão), durante um jogo noturno, jogadores, jornalistas e a torcida foram surpreendidos por uma roda de fogo que pairava sobre o estádio, soltando um intenso facho de luz. O objeto voador não-identificado evoluiu no céu, acima do estádio, e desapareceu segundos depois. Embora nenhuma câmera tivesse conseguido registrar a cena, todos os presentes ficaram muito impressionados. O mistério ficou até hoje sem explicação.
A fauna do Pantanal, araras, onças, jacarés, tuiuiús, tucanos, está presente por toda a cidade em forma de orelhão, lixeiras etc.
Adorei comer de novo algumas das especialidades da culinária daqui. Tem a sopa paraguaia (de sopa não tem nada, está mais para um bolo salgado de milho com queijo) e a chipa (um primo do pão de queijo em forma de meia lua).


Um programa muito gostoso é ir de noite à Feira Central pra comer sobá, prato já esquecido na sua própria origem, a ilha de Okinawa e preservado aqui.
É servido numa tigela e coloca-se primeiro o macarrão caseiro, depois ovo tipo omelete em tirinhas, cebolinha picada, pedaços de carne de porco cozida e frita em cima e, por último, o caldo especial de carne bovina, suína e frango com temperos.Tem também o caldo de piranha, o pacu, o dourado... uma infinidade de delícias. Tem uma reportagem completa sobre comida da região neste link http://www.viagemesabor.com.br/noticias/node/145
A Cidade Morena (por causa da cor de sua terra) tem uma forte relação com a cultura indígena. Na Casa do Artesão encontra-se o artesanato das tribos indígenas e de artistas da região. O que eu gosto é que realmente é um artesanato com a cara daqui. É comprar ou lamentar mais tarde por que você não vai encontrar em lugar nenhum.

Os potes coloridos são da tribo Kadiwéu. A matéria-prima de seu trabalho encontram-na em barreiros especiais, que contêm o barro da consistência e tonalidade ideais para a cerâmica durável. A dir,peças da tribo Terena.

Os famosos bugres da Conceição, hoje são feitos pelo seu neto da mesma forma, na machadinha e com uma camada de cera. Artesanato em osso.
Visitei o Parque das Nações Indígenas, lindo, bem cuidado, tem museu, lago e concha acústica. Foram encontrados ali restos de povos pré-colombianos.
Nestes 119 hectares dá pra ver capivaras, quatis, tucanos, lebres etc
Como eu adoro um mercadão, fui conferir o Mercado Central. O pessoal vai pra comer geléia de mocotó, tomar suco de guaraná natural e saborear o pastel de queijo. A maioria dos comerciantes é descendente de japoneses. Lá também tem tudo que é preciso para se fazer um autentico tereré: a erva-mate, as guampas e bombas.
As bolinhas acima são doce de leite embrulhados na palha de milho seca.
2ª a sábado as 6:30h as 18:30h; domingo das 6:30h às 12h
Tudo para suprir as necessidades básicas de um peão, berrantes, botinas, facas de todos os tipos e tamanhos
O tereré é uma versão do chimarrão gaúcho só que com algumas diferenças fundamentais. A constituição da erva do tereré é de 50% de folhas e 50% de galhos (finos) da sua árvore, enquanto a do chimarrão é de 70% de folhas e 30% de galhos (muito finos)É tomado com água gelada e a erva é menos processada, menos moída e, portanto, a bomba tem buracos maiores do que a do sul. Ele é servido na guampa, que é o chifre do boi cortado.
O tereré é passado de mão em mão em todas as classes sociais e o ritual é levado muito a sério. Por tradição, em uma roda de tereré, deve-se servir o tereré em sentido anti-horário, devido ao movimento feito pelos laçadores. Alguns Mandamentos. Não mexer na bomba. Não colocar açúcar. Não dizer que é anti-higiênico. Não deixar um tereré pela metade. Tomar até escutar o “ronco”, ao final do tereré. Jamais chamar a guampa de cuia. Não alterar a ordem em que o tereré é servido. Não demorar com a guampa na mão.Uma corrente diz que esses peões (pantaneiros) tomam o tereré, porque a água do pantanal e imediações é salobra e com a erva esse gosto é amenizado.


Na frente do Mercadão, fica a Feira Indígena onde as índias terena vendem produtos trazidos de sua tribo: mandioca, milho verde, feijão verde, pimenta, guavira, pequi, sagu, urucum e guariroba, que é um palmito mais amargo, diferente do da Mata Atlântica.


Enfim, foi uma agradável surpresa. A menina morena que eu conheci, amadureceu, e é hoje uma super Cidade Morena bem resolvida e com muita personalidade. Uma Cidade-Morena-Mulher moderna e que não pensa duas vezes em expor suas origens para quem quiser conhecê-la a fundo.

Um comentário:

Juliana disse...

É muito emocionante pra uma mineira-sulmatogrossense rever tantos lugares importantes.oh!mercadão quantas lembranças.