Virginia Costa

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Campo Grande- Tribo Indígena Urbana

As peças terenas abaixo são feitas em argila e depois vão ao forno. Esta etnia indígena tem conhecimento de agricultura e facilidade na adaptação a outras etnias e às condições de trabalho dos brancos, como na construção da ferrovia Noroeste no MS.
A cerâmica é trabalho predominantemente feminino. Em dia que se vai fazer cerâmica não se vai para a cozinha( “o sal é inimigo do barro”) . Não trabalham com barro quando estão menstruadas e nem durante a lua nova. Os homens, tradição na maioria das nações indígenas, só extraem o barro e processam a queima, tarefas que exigem maior vigor físico.


Peças kadiwéu a venda no Memorial da Cultura Indígena. O preto é extraído da resina (fervida)de pau santo. O vermelho provém do urucum. Os kadiwéu são conhecidos como "índios cavaleiros", por sua destreza na montaria .
Mais uma vez uma história pra contar, difícil de resumir. Lembrem-se que não sou jornalista. Quem me recebeu na aldeia, e muito bem, foi o turismólogo Rodrigo de Barros Costa .Qualquer informação imprecisa que eu transmita com certeza é falha da turista aqui. Até agradeço pelas correções, se houverem.
Enfim, em1999, através do Projeto Habitar Brasil, os índios terenas foram instalados na Aldeia Indígena Urbana lá em Campo Grande. Na aldeia tem uma oca bem grande, o Memorial da Cultura Indígena.
A Aldeia Indígena Urbana tem 135 casas de alvenaria que abrigam aprox. 1050 pessoas. No local há uma escola para os descendentes - Sulivan Silvestre – Tumuné Kalivonó, que significa Futuro da Criança. O objetivo é fortalecer a cultura terena entre os jovens através de oficinas de artesanato e cerâmica, ensinando a dança típica do Bate Pau e outras manifestações das suas origens. A escola é bilíngüe, ou seja, o idioma terena ( do tronco aruak) é ensinado juntamente com o português.
Esta foto eu tirei de dentro do Memorial. A aldeia é o que se vê de lá, uma vila " normal".
Três tribos estão representadas na oca através do seu artesanato: terena, kadiweu e guarani.
O detalhe é de um cocar guarani. Eles fazem mais cocares e pulseiras trançadas. Este desenho mostra a identidade guarani.O preto - as diferentes etnias indígenas. O branco significa o limite físico entre as tribos, apesar das diferenças, e o respeito que há entre uma e outra tribo.
O Memorial tem o formato arquitetônico de um animal sagrado para a etnia terena, a ema.
Nas paredes, os diversos símbolos e seus significados. O peixe por que é a base da subsistência das tribos. Tinha também duas linhas diagonais, um símbolo que os homens pintam no rosto em azul em ocasiões festivas e de guerra. O círculo, as mulheres terenas usam nas mesmas ocasiões só que em vermelho. As índias solteiras acrescentam um círculo branco no interior do mesmo

Um comentário:

Juliana disse...

Existem lugares que marcam nossas vidas e Campo Grando com toda sua riqueza e calor é um desses lugares.Um dia ainda volto pra matar saudades.