Virginia Costa

domingo, 11 de dezembro de 2016

Museu Vizcaya- Vizcaya Museum & Gardens

Esse passeio é imperdível. Uma viagem num tempo bem distante do modernismo dos prédios de Miami. 
Essa era a casa de inverno de James Deering (1859–1925), e foi construída entre 1914 e 1922. Já imaginou? 
Vizcaya foi concebida para ser uma interpretação moderna e subtropical de uma villa italiana do século dezoito. 

Os designers adaptaram elementos arquitetônicos mediterrâneos tradicionais ao clima subtropical com uma notável sensibilidade pelos temas de meio ambiente. 
Antes era toda rodeada por uma floresta subtropical. A casa principal e os jardins, antigamente, pareciam uma visão de sonho no meio da floresta, nas margens da Baía de Biscayne. 
Hoje ainda é um oásis de silêncio e verde miraculosamente preservado. Eu nunca tinha visto essas plantas aquáticas. Que cores! 
Deering  queria que Vizcaya pudesse ser vista e acessada pelo mar e ele acertou pois essa visão foi a que mais me impressionou: a Barcaça (the Barge). 
Essa estrutura de pedra em forma de barco foi construída para proteger a casa e os terraços das ondas. Originalmente era acessado por gondolas ou barco a remo. 
 Tinha fontes, luz elétrica, árvores, plantas e um gazebo para entreter os hóspedes. Achei impressionante. Não sei se foi o dia nublado, mas a visão dessa enorme barcaça me pareceu um navio pirata fantasma. Tentei imaginar o lugar com a decoração acima.
Mesmo assim, as esculturas são um tanto angustiantes, não acham? Essas criaturas mitológicas marinhas e as máscaras que decoram a Barcaça foram criadas pelo escultor americano A. Stirling Calder. Em 1917 os artesãos locais começaram a esculpi-las e no verão do mesmo ano o Calder chegou no Vizcaya para dar os acabamentos finais. 
A exposição constante da Barcaça à água salgada da Baía de Biscayne causou uma erosão significante. Hoje é difícil observar os detalhes mais delicados. As figuras sentadas nas duas pontas são réplicas. O Museu preservou as esculturas originais.
 O  que hoje é chamado Jardim Secreto era antes o Jardim das Orquídeas. 
Elas não resistiram ao sol forte e à água salgada. Nos vasos construídos nos muros hoje existem espécies mais resistentes que precisam de pouca terra e nenhuma irrigação. 
As grades de ferro das escadas (lindas!) são obras do artista americano Samuel Yellin e foram instaladas durante a construção da casa. 
Existem outras obras dele pela casa e jardins. Ai, ai, não aguento guarda com celular! É o fim dos tempos, minha gente! 
Aqui era onde ficava o labirinto que era tão alto que dava para se perder. As ondas dos furacões destruíram o jardim do labirinto várias vezes e em 2006 foi refeito com plantas que se desenvolvem bem quando próximas à água salgada. Uma luta, né?

O coração e área principal da casa é o pátio interno que antes era aberto e hoje é coberto com vidro.
 A foto acima é da net.Não se pode fotografar o interior que tem partes belíssimas. A mobília na parte de cima, nos quartos, é bem sóbria, pesada e escura mas fora isso a casa é clara, iluminada, com vitrais belíssimos, muitas antiguidades e obras de arte vindas da Itália, luminárias lindas e várias referências ao cavalo marinho e caravelas, que ele adorava. 
Apesar da aparência barroca, Vizcaya era uma casa moderna, foi construída com concreto reforçado e com as últimas tecnologias da época como geradores e sistema de filtragem de água.
Também foi equipada com aquecimento e ventiladores, dois elevadores, além daqueles elevadores que levam a comida para outro piso, sistema de aspiração central e uma lavanderia parcialmente automatizada. Para aquela época, não é o máximo? A importância da estética da casa e a sua eficiência tecnológica foram comentadas nas revistas de arquitetura e engenharia da época. 
Originalmente, o lado que dá para a baía era considerado a frente da casa. O atracadouro à esquerda era para os hóspedes que vinham pela Baía de Biscayne. No dia 25 de Dezembro de 1916 Mr. Deering chegou de barco para passar sua primeira temporada de inverno em Vizcaya. Deve ter sido uma festa de Natal e tanto! Durante a construção, foi criado um canal na baía rasa para permitir o transporte de material de construção por barco para a obra. 
Num dos lados tem uma piscina incrível, que entra parcialmente sob a casa. Eu tirei essa foto de dentro do café e lojinha que tem ali.
 A parte interna lembra um "grotto" e funcionava como uma sala com mobiliário antigo, vitrais e arandelas. Dizem que Deering só nadou nessa piscina uma vez mas seus hóspedes e sua família usaram a piscina por décadas.
O mural no teto foi criado em 1916 pelo excêntrico Robert Winthrop Chanler, um artista americano presente na decoração das casas do pessoal mais abastado da época. A cena é (era, até ser restaurada) uma fantasia submarina, quase um delírio, que inclui peixes exóticos, tartarugas, cavalos marinhos,plantas aquáticas e corais emoldurados por conchas em moldes de gesso. Há cem anos as escamas dos peixes brilhavam devido ao uso de tinta metálica usada pelo artista e do reflexo da água da piscina. Devia ser lindíssimo. Infelizmente, o material usado não foi uma boa escolha para esse ambiente. O artista usou inclusive tinta solúvel em água. Em 1992 e 2005, ondas causadas por furacão submergiram o mural e o grotto. A preservação do forro de Chanler é um desafio e prioridade visto que é um de dois únicos nos Estados Unidos que ainda existe e que é acessível ao público.

O lado oposto da casa abre para o jardim principal com loggias. 
 Os "grottos" de Vizcaya foram inspirados em extravagantes exemplos italianos do século dezesseis. As conchas foram coletadas nas Florida Keys e nas Bahamas e instaladas por artesãos das Bahamas.
Alguns eventos são realizados lá hoje em dia (foto da net).
Pode-se ir de trolley e de metrorail. Fechado às terças. 

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