Virginia Costa

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Lembra do Guarujá?

Quando foi a última vez que estive lá? Tenho até vergonha de dizer rsrsr. Pelo menos, só boas lembranças. Estive lá quando criança, quando fazia faculdade e depois já com os filhos. Muitos reveillons assistidos de camarote na varanda do apartamento lindo de uma prima e depois a gente descia para pular as sete ondas.
Na verdade, achei que esta cidade praiana tinha sido simplesmente esquecida, pelo menos eu nunca mais pensei nela até minha amiga, Lis Vissotto, uma artista admirável, alugar um apartamento lá por um ano. Fui conferir. Guarujá teve sim um período de glória, de moda, que foi quando andei por lá. Depois, por questões geográficas e práticas, caiu no meu esquecimento.

O que me surpreendeu foi ver que durante esse tempo todo, aqueles prédios antigos com pastilha vem sendo restaurados sem no entanto perder a personalidade. É como se você encontrasse uma amiga de infância e notasse que ela está mais velha sim, mas envelheceu bem, com dignidade.

Novos e modernos prédios foram construídos, novas pousadas, restaurantes tradicionais ainda estão lá, alguns só mudaram de lugar. Me pareceu que a população da cidade cresceu muito, não é mais um lugar só de turismo. O povo mora de fato lá. Percebi isso pela quantidade de grandes redes de supermercados. A feirinha de artesanato na Praia de Pitangueiras continua sendo um programa para fim de tarde. 
Na mesma praia, próximo ao shopping La Plage, existe um grupo de Tai Chi Chuan que está comemorando vinte anos de aulas. O nome do professor é Mario. O mesmo grupo! Animados, um pouco mais velhos, em ótima forma e no maior bom humor.  Aliás, a cidade tem sido uma opção visível para aposentados e seus pets.
Curiosamente, hoje as pessoas se referem à bem localizada Praia das Astúrias como a praia do L..., aquele que eu não falo nem o nome. A do triplex, tá?
E a Casa das Pedras? Me lembro de vê-la na infância! O que eu li colado lá: "Depois de obter grande sucesso com a incorporação do Edifício Sobre as Ondas, Roberto Braga  associou-se a Eduardo Lee para construir, em 1952, uma casa debruçada sobre o mar. O arquiteto do Sobre as ondas, Jayme Fonseca Rodrigues, havia morrido durante a construção do prédio e então Roberto Braga contratou o escritório de arquitetura de Gregory Warchavchik, que designou um jovem arquiteto italiano, Henrique Dristofani, que gostava de ser chamado de "Verona" para projetar uma casa integrada às pedras, incrustada nas rochas que dividem as prais das Astúrias e a das Pitangueiras, utilizando as pedras como apoio estrutural."
Ainda está lá, com mínimos sinais de desgaste. Como é que pode, tão próxima do mar e estar assim tão inteirona?? Ela sempre me impressionou. É de 1952!!! 
O mesmo acontece com esse edifício ao lado, o famoso Sobre As Ondas, um precursor dos flats de hoje porque o restaurante no térreo atendia todos os apartamentos.Tinha uma pista de dança com piso de granito no jardim que avançava sobre o mar, em forma de estrela do mar. 


Na Praia da Enseada hoje tem um Aquario, condomínios chiquérrimos nos morros, pousadas e restaurantes charmosos bem pé na areia.
O Casa Grande Hotel continua muito bonito. Passei dias muito gostosos com as crianças aí!
Hoje funciona também como Spa e tem um anexo em estilo tailandês que é apoio de praia e restaurante, bem em frente, pé na areia.É especialmente lindo de noite por causa da iluminação.

A Praia de Pernambuco tem duas novidades ( para mim), o bonito Shopping Jequiti e o Sofitel Jequitimar Guarujá. Adorei! Sempre penso na geração de empregos que esses empreendimentos proporcionam. Pena que não tirei fotos e gosto de postar aqui só originais.
O Perequê não mudou muito mas tem seu charme com os barquinhos e as peixarias.


Minha amiga matou a saudade da queijadinha praiana que comia com seus pais quando era pequenininha.
Para ir até o Guarujá eu tenho que pegar a estrada Mogi-Bertioga que é muito confusa e desagradável. Tem que prestar muita atenção e não tem aquelas paradinhas com charme que eu adoro fazer na estrada. Na volta, porém, quase chegando de volta à Ayrton Senna, tem um lugar gostosinho. É esse aí.
 E, além da lojinha embaixo, com produtos gostosos para vender, servem na parte de cima  um pão de queijo enorme recheado com pernil desfiado, entre outras coisas.Enorme mesmo, dá para dois tranquilamente. É pegar ou largar. Não dá tempo para pensar. Então, caso queira fazer um pitstop, já fique preparado, no sentido Bertioga-Mogi, para entrar à direita.
Desta vez nem posso dar dicas de restaurantes porque a Lis fez comidinhas deliciosas em casa. Comemos pastel na barraca da tiazinha que a Lis conhece e tomei caipirinha de coco em homenagem à tia Ligia, querida, tipo alma gêmea que já se foi e com a qual dei muitas risadas nessa praia. 
Obrigada, amiga,  Lisbeth Vissotto, pelos momentos com você, pelos passeios de carro, por me apresentar de novo essa cidade, pelas caminhadas na praia. É isso que a gente leva dessa vida!

Um comentário:

lis vissotto disse...

Você como sempre descrevendo tão bem o local ,com seu olhar e sensibilidade! Adorei!