sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Dia da Lembrança (Remembrance Day ) em Calgary, Canadá

Calgary - Campo de Cruzes
No começo achei que era um cemitério mas depois fui saber que o Dia da Lembrança é celebrado em mais de cinquenta países, em sua maioria ex-colonias inglesas, no dia 11 de novembro.  Foi justamente nesse dia em 1918 que o armistício foi assinado, o que colocou fim à Primeira Guerra Mundial.
Calgary - Field of Crosses
Em Calgary, voluntários tiveram o capricho de lavar, repintar, identificar e colocar carinhosamente as poppies ( as flores vermelhas) em mais de  3400 cruzes. Em cada uma delas, infelizmente, uma história muito triste. Os voluntários fazem isso há dez anos. Essas cruzes ficam expostas por 11 dias e depois são armazenadas. 
Calgary - Remembrance Day
Justamente para que não nos esqueçamos do sacrifício feito por tantas pessoas é que todos visitam o Campo de Cruzes. 
Dia da Lembrança, Calgary, Canadá
Os pais levam seus filhos e as escolas levam os estudantes para que se conscientizem de que a liberdade de hoje teve um preço pago pelas combatentes de guerra de ontem. 

A flor símbolo do Dia da Lembrança
As poppies são o símbolo dessa data e um mês antes elas aparecem em prédios públicos pela cidade e em forma de broches na lapela de homens e mulheres.
Como ler o que está escrito na cruz.
Diz-se que se tornaram símbolo por que após uma batalha muitos homens morreram e tiveram que ser enterrados no próprio campo. Tempos depois essas flores vermelhas como sangue começaram a brotar no local.
Dia da Lembrança no Canadá
Fiquei impressionada com a seriedade das crianças, todas muito compenetradas em ler sobre a vida dos soldados.
Remembrance Day, Calgary
Algumas cruzes tem uma espécie de biografia. É de partir o coração. Alguns tão jovens!

O Field of Crosses foi ideia do executivo e filantropo Murray MacCann. Neste site  pode-se ler mais a respeito, fazer doações para o projeto e conhecer a história de alguns soldados. Esse campo homenageia somente os combatentes do sul do estado de Alberta. 

domingo, 29 de setembro de 2019

Aiuruoca - O que você tem que saber antes de ir.

Parque Estadual Serra do Papagaio
Esse nome estranho veio do tupi-guarani e quer dizer casa do papagaio. Aiuruoca fica no sul de Minas Gerais.
Área de Proteção Ambiental, Serra da Mantiqueira e Parque Estadual Serra do Papagaio
Parte do território desta pequena cidade está inserida na área de proteção ambiental da Serra da Mantiqueira e no Parque Estadual da Serra do Papagaio. Vou começar contanto sobre o Vale do Matutu e depois volto para a cidade. Dizem que o vale foi uma importante rota de peregrinação indígena e por isso é considerado sagrado. Até metade do século XIX  ninguém morava no Matutu.  A primeira fazenda que se instalou no Vale do Matutu foi de migrantes que vieram do Rio Grande do Sul por volta de 1860. José Maciel Sene, seu primeiro proprietário, dedicou-se à pecuária e seus filhos continuaram a atividade.
Associação dos Moradores do Matutu
Ainda existe o casarão sede dessa fazenda que foi construída pelos escravos, hoje propriedade e sede da Associação de Moradores e Amigos do Matutu.
Aiuruoca - Loja da Associação dos Moradores e Amigos do Matutu
Há a presença também de imigrantes italianos que trouxeram a técnica de produção do queijo parmesão de Parma, na Itália. A tradição do queijo parmesão já não acontece mais no Matutu, porque os novos migrantes que compraram as terras abandonaram a prática da pecuária, mas seus vizinhos do bairro da Pedra e do Cangalha ainda produzem o mesmo queijo que se fazia há mais de cem anos.
Coopera (Cooperativa de compras que atua como entreposto de gêneros alimentícios e de primeira necessidade)
Em 1993, o dono da Fazenda Matutu, Geraldo Treva, um dos grandes proprietários de terra do Vale do Matutu, morreu quando botava fogo em seus pastos. Como não tinha filhos, a fazenda foi herdada por muitos sobrinhos que acabaram vendendo as terras para alguns migrantes dos centros urbanos.
Aiuruoca - Casarão da AMA, Vale do Matutu
A área do casarão antigo da fazenda foi comprada por três pessoas que já habitavam o Vale do Matutu:  Harvey Thorpe,  Ivo Szterling e Guilherme França.
 (fonte: 
LUIS EDUARDO NAVARRO LINS POMAR)
Aiuruoca - Casarão da AMA, Vale do Matutu
Geraldão Trevas, conta o pessoal de lá, morava sozinho no casarão que hoje é a porta de entrada para o vale. Ele era um fazendeiro nada bonzinho, daqueles que mantinha os peões na base da troca por alimento e terra. A maior parte das terras foi vendida para o Guilherme, um líder da comunidade do Santo Daime. Guilherme acabou fundando uma comunidade que hoje é praticamente auto suficiente, com escolas e boa produção de alimentos orgânicos, mel e frutas ( Sítio Cambará).
Eles se organizaram através da AMA (Associação dos Moradores e Amigos do Matutu e Pedra do Papagaio) e estabeleceram as regras que são seguidas de fato pelas pessoas que optaram por viver lá. Moram ali, me disseram, umas cento e cinquenta famílias mas não se vê um vestígio delas, nem um telhadinho, nada. O lixo que produzem é levado por cada família para a cidade.
Aiuruoca - Vale do Matutu
Não é permitido ter cachorros ou gatos pois eles alteram a fauna local. Não se pode ter antena parabólica, antenas ou luz fria aparente. A fiação elétrica tem que ser subterrânea e não pode haver cercas de arame farpado ou muros entre as casas.
Aiuruoca - Vale do Matutu
Essa comunidade toma ayahuasca preparada pelo próprio líder Guilherme em cerimônias religiosas. Este costume no Brasil é permitido em rituais. Existem áreas de cultivo do cipó e da chacrona, locais de feitio e acondicionamento do daime mas como disse antes, não se vê nada. 
Só sei que com todas as atitudes tomadas por essa comunidade o lugar está sendo preservado e o turismo está sob controle. Achei admirável a coerência do estilo de vida deles, sem alarde, bem na deles mesmo. A maioria das pousadas e mesmo chalés Airbnb oferecem yoga, reiki, massagens e tratamentos semelhantes. Na grande maioria delas não se pode fumar e também são vegetarianos. Por esse motivo escolhi me hospedar na cidade. Longe de mim macular a pureza local!
Aiuruoca 
Na sede da AMA eles tem o controle de quem entra e quem sai, quanto tempo vão ficar e anotam a placa do carro. Por estarem em área de proteção ambiental esse controle faz sentido. Ao lado do casarão da sede fica a Coopera, uma lojinha com os produtos da região. No dia que fomos estava chovendo então não passamos desse ponto. Eles cobram uma taxa de manutenção de R$ 15,00. O que tem depois do casarão? Trilhas para diversos picos com diferentes níveis de dificuldade e cachoeiras. Pelo que entendi, para irmos ao restaurante da Tia Iraci teríamos que andar uns 350 metros a pé. Estava chuviscando e desistimos. Os carros só entram para as pousadas e mesmo assim, até um determinado ponto. A Pousada Patrimônio do Matutu, por exemplo, tem acesso para carro até um certo ponto e não tem energia elétrica. Fica no alto de uma montanha com vista para a Cachoeira do Fundo. E não é barata não! É puro charme à luz de velas com comida orgânica. As malas vão em burrinhos.
Aiuruoca - Pousada Canto do Papagaio- Aiuruoca
Uma das pousadas que visitamos tem fácil acesso. Fica bem no início da estrada que vai para o Vale do Matutu.
Aiuruoca - Pousada Canto do Papagaio- Aiuruoca
Tem uma ponte interessante sobre o rio Aiuruoca. O rio é dos grandes com pedras enormes.
Aiuruoca - Pousada Canto do Papagaio- Aiuruoca
A pousada é também um hostel e é bem bonita e cuidada.
Aiuruoca - Pousada Canto do Papagaio- Aiuruoca


Aiuruoca - Pousada Canto do Papagaio- Aiuruoca
Servem almoço e pode-se visitar sem estar hospedado lá.
Aiuruoca - Pousada Canto do Papagaio- Aiuruoca
Fomos caminhando até a cachoeira ali perto e fiquei impressionada com a beleza e volume da água. Ali tem diversas piscinas que dão para nadar. No verão deve ser uma delícia. Do outro lado da estrada fica o Pocinho, ótimo local para banho.
Aiuruoca -Armazém da Terra- Estrada para o Vale do Matutu
Outra paradinha interessante é o Armazém da Terra que vende produtos locais orgânicos, lanche, cafezinho, óleos essenciais e inclusive o famoso queijo da cidade vizinha Alagoa.
Aiuruoca- Armazém da Terra- Estrada para o Vale do Matutu
Pense num pessoal tranquilo!
Armazém da Terra- Estrada para o Vale do Matutu
Pois é, eles não tem pressa e o atendimento é muito especial e calmo em todos os lugares.
Aiuruoca -Sítio Fios da Terra - Estrada para o Vale do Matutu
Ainda na estrada que vai para o Matutu fomos conhecer o Sítio Fios da Terra, um pequeno restaurante.
Aiuruoca -Sítio Fios da Terra - Estrada para o Vale do Matutu
A dona vende peças em tear feitas por ela.
A estrada para o Matutu é de terra e quando chove não é para qualquer carro.


Ao longo dela tem essa cerca linda com cara de Harry Potter.
Estrada para o Matutu - eucaliptos
Também vimos esses eucaliptos enormes. Não dá para acreditar no diâmetro dos troncos! Pena que na foto não aparece bem. Nunca vi nada igual.
Aiuruoca
Aiuruoca é uma típica cidadezinha mineira com a pracinha e coreto. Achei que íamos ficar entediadas mas acabamos curtindo muito os produtos locais e a simpatia das pessoas todas, verdade.
Aiuruoca
Tem alguma coisa especial ali. As pessoas tem uma paz de espírito diferente.
Aiuruoca - Armazém Central
Enfim, ao redor da pracinha tem esse armazém onde se pode comprar os ótimos queijos de Aiuruoca, coelhinhos, botinas, peças de ágata, tem de tudo! 
Aiuruoca - cachaças
Lá também tem as duas cachaças fabricadas nos alambiques do bairro de Guapiara, na estrada para Alagoa. Os alambiques podem ser visitados.

Aiuruoca- Museu Municipal
Pertinho da igreja fica o que chamam de Museu Municipal de Aiuruoca mas na verdade é mais um memorial ao Dr. Julio Arantes Sanderson de Queiroz. A construção é do início do século XIX.
Aiuruoca- Dr. Júlio Arantes Sanderson de Queiroz
Interessante é que a dona do Armazém Central ( aquele acima) falou demais sobre o Dr Júlio para mim, com muito carinho. Disse que ele só comprava botinas com ela, que só fazia cirurgias com uma imagem de Santa Rita no bolso, que dava festas no casarão e a convidava, que tomou cachaça até os 88 anos e que morreu sem adoecer.
Aiuruoca - Pizzaria Aroma da Serra
Como fomos durante a semana muitas coisas não estavam abertas para visitação. Percebemos que as duas pizzarias da praça se revezavam para abrir.
Aiuruoca- Pizzaria Azeitona
Isso foi bom por que comemos nas duas, na Pizzaria Aroma da Serra e no Azeitona. Ambas muito boas e recomendo.
Aiuruoca - Armazém Macieira
Seguindo nessa mesma rua que passa do lado direito da igreja, bem lá quase no fim dos paralelepípedos fica um local excelente para encontrar qualquer tipo de queijo e outras delícias, o Empório Macieira.
Queijos da Mantiqueira
É a Disney para quem curte queijos. Lá estão todos os premiados dos últimos anos e ainda de quebra um atendimento de quem entende muito do assunto.
Queijo super premiado
Esse é o queridinho do momento. Tem ganho um prêmio atrás do outro. A boa notícia é que não são caros. A maioria é de Alagoa que é ali pertinho.
Aiuruoca - Armazém Macieira
Além da grande variedade de produtos, é um lugar bem gostoso para tomar um café e ainda aplicam Tetha Healing. Fomos três vezes lá, vê se pode! E todas as vezes fomos muitíssimo bem atendidas. 
Aiuruoca - Armazém Macieira
Adoramos essa queijeira.
Outros produtos.
Quando eu tiver meu fogão à lenha vou precisar de uma vassourinha linda dessas.
Aiuruoca - Pousada Taity
O Carlos, dono do Armazém, nos indicou a Pousada Taity, na rua de cima. Gostamos demais.
Aiuruoca - Pousada Taity
 Os quartos são amplos.
Aiuruoca - Pousada Taity
 Esse até tem uma sacada.
Aiuruoca - Vista do quarto na  Pousada Taity
Vista para a Serra do Papagaio.
Aiuruoca - Pousada Taity
A dona da casa, a Madalena, é uma pessoa tão delicada e tranquila que nos sentimos muito bem. Ela fez pessoalmente os pães e bolo para nosso café da manhã nesse fogão lindo.
Aiuruoca - Café da manhã na Pousada Taity
Assou também pães de queijo na hora. Estava tudo delicioso inclusive com manteiga, geleia e requeijão especiais da região. (35) 99832-3272. 
Daí para frente o tempo piorou. Choveu demais. Bem que tentamos chegar até o Vale dos Garcias para ver a cachoeira mas não dava para enxergar nada.
Aiuruoca - Olibi
Deu para visitar no improviso a Olibi, fabricante de azeite.
Aiuruoca - Olibi
Para visita guiada, que li que é muito interessante, tem que agendar e dura duas horas e meia.
Aiuruoca - Olibi
Deu para vermos os cavalos e o viveiro de pássaros que o proprietário cuida em parceria com o Ibama e Polícia Florestal. As aves foram resgatadas pelo tráfico e por maus tratos e eles já soltaram 3 mil aves de volta para a natureza. 
Aiuruoca - Olibi
O lugar da Olibi é lindo e tem um projeto de restauração da Mata Atlântica admirável, tudo integrado com o cultivo das oliveiras.
Aiuruoca vista da Olibi
Ganharam o prêmio Eco 2017 de Sustentabilidade. Caso visitem Aiuruoca lembrem-se de levar dinheiro pois lá só tem uma agencia do Bradesco e a Claro não tem sinal.