terça-feira, 1 de setembro de 2020

Santa Branca - Restaurante Choppi

Para quem vive no Vale do Paraíba o Restaurante Choppi, em Santa Branca, dispensa apresentações.
É daqueles lugares que chamo de honesto.
O chopp Brahma é premiadíssimo. Ganhou em 2008 o título de melhor chopp do Brasil pela Real Academia do Chopp.
Melhor chopp do Brasil
Ganhou a caneca e a torneira de ouro e vários outros prêmios antes e depois desse.
Parmegiana
A comida e as porções são fartas e deliciosas.
Rosana e Chef Mauricio Filippi
Os proprietários Rosana e o Chef Maurício Filippi são muito simpáticos e estão sempre por perto para ver se está tudo em ordem.
Restaurante Choppi, Santa Branca
A decoração tem clima italiano com antiguidades por todo lado.
Tem uma parte com vista para as montanhas.
De só uma olhada nas comidas. Pelo visto essas bolinhas de queijo são um sucesso. A  mesa ao lado pediu três porções!
Nós começamos com uma porção de filé ao molho madeira.
Restaurante Choppi, Santa Branca
Depois comemos abadejo com molho de camarão e purê de mandioquinha. Uma delícia!
Esse capricho pelos detalhes cria um clima agradável. Até o banheiro me surpreendeu. Tem um hall simpático no andar de baixo na frente do banheiro.
Parece bobagem mas às vezes a gente vai a um banheiro e ele tem tudo mas não tem um lugar para pendurar a bolsa ou o não tem a toalha de papel, enfim, sempre falta uma coisinha. Lá não. Tem tudo e tudo funcionando.

Para achar o restaurante é fácil. Encontre a Matriz que fica numa praça muito simpática.
O restaurante é logo ali ao lado, na parte de baixo.
Tem esses vasos charmosos na frente.
Restaurante Choppi, Santa Branca.
Uma simpatia essa lambreta na entrada!

Olhem só que praça gostosa. Tem vários bancos embaixo de árvores.
Santa Branca
E para dar um clima mais de interior,um bonito coreto.
Fiz um post bem completo sobre o que fazer em Santa Branca. Programe-se, veja os horários que a Matriz fica aberta, conheça o artesanato da Marga, tire fotos dos casarões. Confira tudo AQUI.
É um bom programa para se fazer na pandemia. O outro, para Santo Antonio do Pinhal eu contei AQUI.

domingo, 9 de agosto de 2020

Passeio Durante a Pandemia- Santo Antonio do Pinhal

Santo Antônio do Pinhal

Não está mais aguentando ficar em casa e quer passear, né? Imagino. Eu também. Então aceitei o convite de um casal de amigos que tem ido frequentemente para Santo Antônio do Pinhal. Por razões técnicas e políticas que não vou comentar, o comércio nessa cidadezinha ainda lembra a nossa vidinha de antes.
Santo Antônio do Pinhal
Cumprindo todas aquelas recomendações blablabá, acredite, dá para entrar em lojinhas, comer num restaurante, ver o verde das montanhas e principalmente voltar a sentir aquela alegria de pegar uma estrada e sair para passear. 

Já estive lá muitas vezes e sempre procuro novos cantinhos, novos restaurantes e nessa serra, até errar o caminho é gratificante.


Primeiro de tudo, me deixe te avisar de uma cilada. Tem lá na pracinha principal uma tenda de desinfecção. Você entra e supostamente sai um vapor e você sai limpinho de vírus do outro lado. Só que não. Eu entrei, minha amiga estava filmando e gente, sai um esguicho do tipo lava-jato de automóveis. Eu ainda consegui dar um passo atrás e escapei. É como se fossem lavar um carro. Não é um vapor. É uma chuveirada. Enfim, passem longe disso e de quem colocou essa engenhoca lá. Não entendi até agora se foi incompetência ou uma pegadinha de mau gosto. 
Jardim com diversas flores de origem japonesa.
Mas tinha um item na minha listinha que fazia tempo que eu queria conhecer e ficava sem graça de ir sozinha, o atelier do Eduardo Miguel Pardo. Enfim, aproveitei a companhia dos amigos e fomos. É fácil de achar, só colocar no Google Maps o nome dele, não no Waze. 
Atelie de Eduardo Miguel Pardo, Santo Antônio do Pinhal

De cara já amei o jardim com plantas diferentes e mais tarde ele contou que são comuns no Japão. O que tem a ver o Japão com esse artista que eu venho namorando de longe há tempos? É que ele foi premiado lá. Com o que? Pergunto. Com as pipas, ele respondeu. Meu Deus, que vergonha, nem estava sabendo das pipas. Já que mostro. 
Atelie de Eduardo Miguel Pardo, Santo Antônio do Pinhal
E demos sorte que ele estava lá de boa, como se estivesse esperando por nós. Não tem como resumir o curriculum desse artista. Muito premiado, saiu em inúmeras revistas e não dá conta de tantas encomendas ainda mais nesse momento de pandemia quando todo mundo resolveu dar um upgrade na casa. 
Adorei conhecer o galpão onde ele armazena a matéria prima da sua arte, a madeira nobre, descartada, que ele geralmente ganha das pessoas que conhecem seu trabalho. 
Aliás, não só adorei como fiquei meio obcecada com a organização daquilo que parece um caos mas no fundo a gente percebe que se ele precisar de um certo galhozinho, ele vai saber exatamente onde encontra-lo.
Atelie de Eduardo Miguel Pardo, Santo Antônio do Pinhal
Nunca vi um caos tão organizado! Te juro. E, vamos combinar, é um caos de entulhos, de restos, de resíduos, de coisas que as pessoas tocam fogo para ficar livre. 
Ele pega essas coisas duras, ressecadas, franzidas, sentidas, doídas e transforma em algo que você quer ficar apalpando e admirando. 
A madeira, quando trabalhada com respeito, tem isso, transmite conforto, dá vontade da gente ficar alisando e admirando as cores, as curvas, as texturas. A madeira liga a gente com o barro, com a terra, com as nossas sementes. Não sei de onde tirei isso, mas é o que sinto agora.
A estrela do momento, não que ele queira, é o beija flor. É que o tal beija flor apareceu em vários vídeos do Life by Lufe e virou febre. Todo mundo quer aquela coisinha bonitinha voando em casa. Feito de várias madeiras nobres, sem parafuso, sem nada, tão delicado, quem não quer?

Pipas de Eduardo Miguel Pardo
Seu primeiro prêmio no exterior foi com essas pipas (em madeira, claro), no Japão. Desde então o mundo abriu os olhos para ele. 
Hoje ele mesmo me mostrou, nesse caderno de visitantes, que pessoas de 84 países diferentes deixaram mensagens, algumas ele nem consegue decifrar. O moço é famoso ou não é? Foi muito agradável conhece-lo. AMO quando nossa brava gente se destaca! 

Voltando para o centrinho da cidade, na rua principal tem essa galeria como referencia.

Uma das lojinhas, Vivarteare, é um outro show de coisas lindas. Entre sem pressa, por favor.
É de um casal, o marido, Dioclésio José, faz essas peças em tear vertical tipicamente andino, belíssimos, e a mulher, Miriam Leite, pinta quadros e faz esculturas em papel machê. Também revendem o que há de mais curioso e diferente na joalheria de lugares como Nepal, Tailândia, Indonésia e Inglaterra. Foi difícil tirar minha amiga de lá, estava encantada com os anéis. Eu queria os pôsteres dos pássaros da Mata Atlântica. Estou de olho neles há tempos e agora ainda tem aquelas bandeirolas do Tibet, só que feitas num mosteiro no Rio de Janeiro e o dinheiro é revertido para o Tibet. Difícil sair dessa lojinha encantadora. O marido da amiga se cansou de dar voltas na praça, esperando.

Almoçamos nesse restaurante, Puri no Deck, e hoje era dia de feijoada, mas também servem trutas e outras delícias. Muito agradável, bom atendimento, num deck lá fora, ao ar livre podendo curtir as cerejeiras em flor.  

O comércio dessa rua principal é singelo, agradável, autêntico e despretensioso. Não consigo achar uma palavra certa para descrevê-lo. Você sempre vai achar alguma coisinha que se sobressai.
 Esses carrinhos de supermercado forrados, por exemplo, um charme.
Funcionam como um Show Room de temperinhos de uma pessoa muito criativa da região.
E esse doce nessas mini marmitas com calda de café?
Dá vontade de comprar pra todo mundo que a gente ama.

Por falar nisso, lá tem um fábrica de meias! A Mountain Socks.
Meias boas, com design exclusivo, bonitas, diversas texturas, para todo tipo de clima.
Achei o máximo. Coisa nossa! 

O cafezinho coado na hora depois do almoço tomamos nesse casarão antigo.
Tem artesanato variado.
Achei um amor esse porta bowl. Nunca tinha pensado nisso.

E arrastei o casal amigo para visitar essa lojinha que adoro, Em Cantos de Minas.
Santo Antônio do Pinhal, Praça do Artesão
Fica em frente a essa pracinha.
Lá tem cada tapete em tear mais lindo que o outro, jogos americanos, tudo de muito bom gosto e o preço é ótimo. Tudo coisa brasileira. 

Mas tem muito mais para ver por lá e contei em quatro posts anteriores que você pode ver clicando AQUI.


sexta-feira, 31 de julho de 2020

Sobrevivendo com humor a um Hematoma Subdural Cronico.

Vou contar por que também pode servir de alerta para outras pessoas. Já caí muito mas não me lembro de ter batido a cabeça. Contei sobre meus tombos e o que mata velho AQUI.
Passeando com a família e bem indisposta
Em janeiro minhas netas, filha e genro vieram do Canadá para passar uns dias e isso era tudo que eu sonhava só que eu vinha sentindo uma preguiça enorme. Não tinha vontade de nada. Morria de remorso.
Teve chá de bebe do meu neto e fiz um enorme esforço para participar. 
Resolvia alguma coisa na rua e não via a hora de voltar para casa e me deitar de olhos fechados. Sabia que não era depressão.
Teve casamento e aniversário do meu filho e eu me sentindo indisposta. 
Plantão no stand de vendas no Shopping Colinas
Era voluntária no Gesto e no GACC mas estava indo arrastada nos últimos tempos. Odiava quando me chamavam para algum programa pois eu tinha que ter uma boa desculpa para não ir. Achei que era sinusite ou vista. Fiz todos os exames mas uma dorzinha chata persistia, meio sinusite, meio vista cansada. Fiz quatro exames diferentes de vista e até comprei óculos de Ótica. 

Tomei remédio para essa dorzinha de sinusite, não passou, estranhei, fui ao PS numa sexta, fiz RX da face, tomei remédio na veia para dor, não passou. Não justifica, disse o medico e me disse que eu teria o direito de voltar ao PS na segunda feira para investigar já que a dor não passou. Na segunda, lavei a cabeça, fiz escova, peguei um Uber e voltei ao PS. Uma médica pediu uma tomografia computadorizada do cérebro. Esse exame é feito em outra unidade. Daí precisava de um acompanhante, coisa que eu não tinha. Como eu estava tão lúcida e bem me deixaram ir para o outro hospital de ambulância desacompanhada para fazer a tal TC. Acredite se quiser, um dos enfermeiros se engraçou por mim com uma conversa de falar inglês... Estávamos indo muito bem, prosa boa, até o momento que fiz a TC e aí perdi meu último e derradeiro fã. Ele ficou assustado! Fazia tanto tempo que ninguém me paquerava!
Daí em diante foi um entra e sai da saleta em frente à sala de tomografia e não me deixaram sair. Passou um médico, depois outro e depois me aparece um anestesista. Pediram contato de alguém. Por sorte meu filho estava na cidade. Não entendi nada do que estava acontecendo só sei que quando me dei conta já estava na UTI esperando para ser operada de uma coisa que era uma dorzinha mesmo. Só uma chatice. Que exagero, gente, posso voltar outro dia?

Fiquei seis dias na UTI com uma sonda na cabeça e mais dois no quarto dividindo com uma menina fofa.

Sinceramente, o tempo todo eu pensava: Virginia, isso não te pertence. Você vai sair daqui logo. Fica tranquila. Lembra dos mergulhos em Bonito? Lembra das piraputangas? Pois é, você vai voltar para lá e vai mergulhar de novo.

Na UTI, lúcida e sem dor (o que já é uma benção), mesmo toda monitorada e sem poder me mexer muito, pude observar muito bem como funciona, ver quais enfermeiras são anjos, o tempo precioso que a burocracia tira delas, quais tem problemas em casa e tem pressa de ir embora, quais médicos a equipe respeita, onde é bom comer ali perto, qual enfermeira fala alto demais e dá receita de repolho com alho frito, os pacientes que entraram e saíram, os que sempre recebiam visita e os que ficavam solitários e calados.
Um senhorzinho estava numa UTI especial, lacrada, desde o Natal. Um casal jovem o visitava sempre. Deus permita que eu morra em casa! Assim como meu pai, minha mãe, minha irmã, tia Leiza, vovó Marianinha e outros amados.
Um dia chegou uma moça sentada na maca daquelas de ambulância. Ela devia ser uns quinze anos mais moça que eu. Só a vi por segundos. Ela estava gritando e dizendo que não era para estar ali, muito confusa e agressiva. Estacionaram a moça do meu lado. Só uma cortina de plástico nos separava então eu acompanhava todos os procedimentos pelos quais ela passava. Perguntei para a enfermeira mais "amiguinha" o que ela tinha. Câncer terminal. Conheço, acompanhei de perto (demais) na minha família. Ela sofria muito cada vez que tinham que encostar nela. E gritava de dor. Era brava que só. Várias vezes todos os enfermeiros do plantão ficavam juntos só por conta dela para virá-la, por exemplo. Muito sofrimento. Nessas horas o tempo parava, ficava um suspense no ar visto que estávamos todos no mesmo barco. Todo mundo rezando para que o procedimento acabasse logo, inclusive por que atrasava o horário de visitas. Um dia ela gritou chorando: EU QUERO A MINHA MÃE! EU QUERO A MINHA MÃE ! Aí foi de doer. Eu estava indo tão bem. Precisava me lembrar da minha mãe? Também quero! E chorei. Acho que todos os internados ali engoliram em seco. 
Mas fora isso e dois dias que tive que ficar com a cabeça para baixo, foi tranquilo. 
Isso foi dia 11 de fevereiro. Estou ótima e sem queixas. Dei sorte por ser dias antes de declararem a pandemia e sorte com o neurologista de plantão, um craque acostumado a operar bebes com hidrocefalia. Uma pessoa dessas vai direto pro céu, mesmo sendo sério demais. Difícil faze-lo rir. Mas consegui, na UTI mesmo, quando ele apareceu uns quatro dias depois e eu falei que tinha tido um sonho com ele. É que ele me operou em pleno carnaval e depois não o vi mais, por dias. É claro, ele tem uma equipe com outros médicos e estava me acompanhando de longe, mas eu queria mesmo o próprio. Normal. Quando ele chegou, eu estava sentada numa cadeira. Disse que estava muito feliz em vê-lo pois tive um pesadelo onde ele aparecia de abadá, na Bahia, no meio de um bloco, mandando recado para mim numa entrevista, que voltaria só depois do carnaval e daí fiquei preocupadíssima. Juro que levou uns segundinhos até ele entender que eu senti falta dele e riu. Ele riu. Mas em seguida me mandou ficar de cabeça para baixo. Com a idade o cérebro da gente encolhe, sobra espaço e entendi que ele deveria aderir à caixa craniana se eu ficasse com a cabeça mais para baixo. Pior que foi bom mesmo. Agilizou minha saída da UTI. Percebi que teve gente que levou bronca. Parte culpa minha, decerto, que repetia o tempo todo que estava bem. Ele é bom, mas é enérgico. Antes assim.
Gente, que coisa mais louca é uma pessoa gulosa e taurina! O melhor do dia era esperar o barulhinho do carrinho da comida chegando e a visita do meu filho. Mas que comidinha gostosa! Sério mesmo. Senti falta foi de tomar café e nem me lembrei do cigarro. Só sei que a copeira colocava a bandeja no meu colo, me contava o que era e eu fazia um montinho com as mãos e engolia. Até banana comi de cabeça para baixo e bolo com calda de leite de coco. Comia de tudo. Rodrigo, além dos "para casa" (livros e cubos mágicos) me levou uma garrafinha jeitosa que dava para eu beber água sem me levantar. Resolveu. 
Até a comadre eu adorei! Que coisa mais genial. Funciona assim, os enfermeiros chegam de manhã e se apresentam. Quando era um rapaz eu pedia gentilmente para que ele trocasse com alguma colega pois eu ficaria mais à vontade. Teve um dia que vi que iria demorar e assim que ele saiu, me arrependi e gritei: Volta, Samir, vai tu mesmo! Traz a comadre!. Sem drama. O banho diário era dado pelas enfermeiras na cama. Ainda bem que o cérebro da gente nos faz esquecer essas chatices. Se a gente esquece a dor do parto, que dirá banhos e comadres!  
Bom mesmo foi na casa da minha amiga Lisbeth que preferiu cuidar de mim na casa dela depois que saí do hospital. Comida caseira, moranguinho com chantilly, tudo na bandeja, assistindo escola de samba na TV. A vida é bela! Quanto carinho recebi de tanta gente! Fazia tanto tempo que eu não era paparicada do tipo trazerem coisa na bandeja para mim. Acho que felicidade igual mesmo só quando minha mãe me trazia um queijo quente no pão francês no tostex junto com um comprimido para cólica menstrual.
Sou muito grata por cada detalhe de cada amiga que me paparicou nesse período. Geni, minha faxineira querida há 32 anos dormiu em casa dois dias e depois o Rodrigo. Outra amiga me levou ao médico e para tirar os pontos. Visitas carinhosas em casa. Depois as coisas foram se acomodando mas não vou me esquecer nunca do revezamento das minhas amigas, da forma que puderam. Nem quero falar nomes com medo de omitir alguém mas me senti muito protegida de perto e de longe, tendo até que avisar quando entrava e saía do banho. Senti de verdade muito carinho. Choro só de lembrar. Só não posso até hoje é deixar de atender o celular que o povo já acha que eu morri.
Dois meses depois quis saber o nome do que tive: hemorragia subdural crônica. Os sintomas podem ter início semanas e até meses após o trauma e variam de apenas dor de cabeça forte e progressiva até confusão mental, paralisia de um lado do corpo podendo chegar até ao coma e morte.
Daí tive coragem de colocar a mão de verdade na minha cabeça e vi que tem dois buracos no osso do meu craniozinho. Ainda tive sorte de não rasparem minha cabeça. Na minha idade, a única coisa que acho bonitinha em mim é meu cabelo e seria uma judiação raspar tudo. 
Me disseram que eu ia entrar em coma mais cedo ou mais tarde. Isso explica por que, na minha chegada, na primeira TC o rapazinho da tomografia saiu lá de dentro de onde eles ficam para se proteger, se aproximou de mim e perguntou: A senhora está me enxergando? Nem aí percebi ter alguma coisa errada. Ele era ruivinho, uma graça. Acabei fazendo umas cinco tomografias enquanto estava na UTI e depois, daí sempre chamo por ele pra dizer que ele é lindo e que eu estou viva.
Já no quarto. 
Aparentemente bati a cabeça ou levei um tranco e daí, provavelmente por causa da Aspirina Prevent, devidamente receitada por meu cardiologista para tomar uso contínuo começou um sangramento que deve ter começado meses atrás.
Quase seis meses depois, sem queixas. Me sinto produtiva e feliz mesmo com essa espada do Covid-19 pairando sobre nossas cabeças. 
 A pergunta que não quer calar: 
 - Doutor, posso beber e fumar? 
- "Dona Virginia, disso a senhora não vai morrer mais, desde que não tenha outra queda ou tranco forte."
Acabou o assunto. Fora da garantia. Ele é assim mesmo. Sem chance de ficar tricotando com ele. E não me deu alta! Tenho que esperar um ano. Avisa lá o ruivinho da tomografia que não morri, pelo menos por enquanto.
Brincando com lettering - Virginia Costa
Meu santo é muito forte mas tá pedindo umas férias. Ele bem que merece mas já avisei que vai ter que esperar o Covid-19 passar. Muita coisa poderia ter dado errado. Nasci de novo. Nunca mais posso reclamar de nada! Nadica! Preciso aprender a lição. 
De lá para cá tenho feito e vendido panos de prato com crochet que acabaram se tornando uma fonte de renda com a pandemia. Criei coragem depois de assistir ao Lufe no YouTube na Espiral de Mudanças .
Pajaki - Virginia Costa
Me arrisquei com os pajaki também. 

E coisas melhores ainda aconteceram, meu terceiro netinho nasceu! O Apolo. Coisa mais lindinha do mundo. 
E tem o bônus da minha vida que é a outra netinha, Isabeli, filha da minha filha que a vida me deu de presente nesse meio do caminho. Agora, quatro netinhos. Amém, Jesus!