terça-feira, 12 de março de 2019

Quem disse que a vida na fazenda é monótona?

Fazenda de gado
Nunca na minha vida tive essa chance de passar dois meses numa fazenda e te juro, nem vi passar.
O bicho pega desde as cinco da manhã.
Os peões vão para a cocheira checar o gado leiteiro e os cachorros acompanham. Tinha um cachorro, o Xerife,  que só voltava de noite quando realmente não tinha mais movimento por lá.
Um detalhe, veja só a elegância desses peões! Nesse dia estavam recebendo novos chapéus.






E alguns tem muito estilo mesmo. Tem orgulho do que fazem.


Café da manhã na fazenda
O café da manhã é farto, sempre tem pão caseiro, ovo frito (daqueles com a gema amarela de verdade), fruta da época, requeijão mole que a moça da fazenda vizinha faz e queijo fresquinho. Repare que tem farinha de mandioca sobre o ovo. Não é que fica ótimo?
Todos os dias fazem queijo e daí colocam para curar e já viu né?
Sopa Paraguaia
Usam no pão de queijo, na sopa paraguaia, na chipa, no bolo de fubá e assim vai. Mas acho que, além do trato com o gado, o que faz o movimento todo é o gosto que os peões de lá tem por carne, qualquer uma. Carne não pode faltar. Nem mandioca, arroz e feijão. Todos os dias, almoço e jantar.
Eles matam o boi num dia e deixam a carne descansar por uma noite. Parecia um açougue.
No dia de carnear mesmo todo mundo aparece para ajudar. Tem que guardar nos saquinhos etiquetados para congelar, carne para os cachorros, para a pensão dos peões, para a sede e separam também a carne de primeira para fazer a famosa linguiça de Maracaju que minha amiga faz como ninguém. Sobre isso contei no post anterior, é só clicar AQUI para ver como se faz.
Carne de sol
Também separam a carne de sol que vai dar o sabor especial ao arroz carreteiro autentico.
Eles estão bem equipados já, tem serra para cortar as costelas, moedor de carne dos bons e freezer grande. Isso acontece a cada vinte dias, dependendo do movimento de gente. O negócio da carne é sério!
Bom, só aí já foram dois dias e depois tem o dia do porco. Olhe só o capricho desse moço na limpeza do couro! Eu sei, dá dó de ver o porquinho, concordo.
Chiqueiro
Mas ele teve uma vida feliz. Olhe só o lugar onde ele viveu!.Esse é o chiqueiro, longe da casa, como deve ser.
Porco caipira
De dia ficam soltos e saem para passear fazendo o maior estrago na plantação de milho, galinheiro etc. Mas tudo bem, tem comida para todos.
Mas olhando ele assim, lindamente desossado e crocante procuro aceitar que o homem é genuinamente um animal carnívoro. O importante é que essa função alimenta e agrega as pessoas e tudo meio que vira uma festa. Os gatos e cachorros adoram também!
Fox Paulistinha
Todos comparecem. Esse fofo é o Whisky. Me apaixonei por ele. Pensei em traze-lo mas ele não merece levar a vida que eu levo dentro de um apartamento.
Ah, eu até me lembrei de preparar a pele para o torresmo como minha mãe fazia. Cozinhei em água e sal e depois vai para o forno numa assadeira espalhadinha para secar devagar com um pouco de bicabornato até ficar bem sequinha e crocante para guardar ou fritar na banha do próprio porco.  Pode e deve congelar.
Horta
Mesmo assim, não tem como deixar de ter uma horta.  Só quem já teve sabe o trabalho diário que requer. Eu me esbaldei com a fartura de hortelã, alecrim, cebolinha e manjericão, coisas que compro na cidade, pago caro, cheio de agrotóxico e ainda vem só um pouquinho.
Pimenta do Reino
O pomar da minha amiga é o máximo, tem coisas muito diferentes, que eu nunca tinha visto. Ela é praticamente uma colecionadora de frutas.
Visitando uma outra fazenda ela já descobriu essa árvore de achaichairu e trouxe seis mudinhas. Achaichairu (escrevi errado na foto) é uma fruta boliviana e dizem que é uma delícia.
Vi também essas duas que não conhecia.
Na mesma visita ganhamos uma bacia enorme de tamarindo.
Nesse meio tempo as goiabas estavam no auge da produção. Mais serviço gostoso.
E tem também o setor do galinheiro que só dá alegria. Não tem nada melhor que um franguinho caipira com pequi, agora que tomei gosto por ele. Contei AQUI minha introdução ao pequi.
Carneiro Santa Ines
Também gostam muito de comer carneiro. Pois é, a dieta lá é variada, fora os peixes. O tempo passou rápido por que quando não estávamos mexendo com alguma carne, limpeza ou doce, a gente ia visitar outras fazendas ou recebia visitas. E tinha também as diversas idas para as vilas próximas para comprar uma ou outra coisinha bem básica como gás, cerveja ou buscar milho na fazenda de um, feijão na fazenda do outro.
Colunas bolivianas em madeira
É uma troca que faz um movimento danado, além de levar vacina de uma fazenda para a outra, buscar um porco que alguém deu. Tudo em estrada de terra. Essas colunas vi na Vila Triunfo e são em estilo bem boliviano.
Vila Monte Cristo- MT
Essa vila fica bem próxima ao Monte Cristo. É uma parte muito bonita da Serra de Santa Barbara
E também tem que dar manutenção na estrada, lavar trator, lavar o curral, os carros, o forro das casas. É movimento o dia todo.
Eles tem um sistema excelente de guaritas com controle de quem entra e sai, com foto e tudo, horários e grupo de Whatsapp em conjunto com uma policia da fronteira.
São os fazendeiros da região que mantem as estradas. É uma associação. Com o dinheiro arrecadado eles pagam pessoas para manter a estrada. Quem usa mais paga mais.  A prefeitura entra com as máquinas. 
Um dos passeios foi pescar na Baia do Padre. É uma lagoa imensa, limpa e preservada, com um vegetação aquática que lembra a de Bonito, MS. As ilhas que você vê são flutuantes
Para chegar onde fica o barco a gente passa por uma passarela bem longa. Fica numa fazenda particular e o dono nos recebeu muitíssimo bem, serviu almoço delicioso e nos levou para pescar tucunaré no barco dele.
Na verdade eu nem peguei na vara, nunca lidei com carretilha e essas iscas bonitinhas voadoras. Até hoje só pesquei lambari com minhoca. Ele foi muito simpático ao tirar foto minha com o peixe que ele pescou. Adorei! 
O danado pescou uns seis tucunarés e levamos para a fazenda e todos comeram. Nada como um peixe fresco de água limpa.
Ariranhas
Durante a pescaria apareceram as ariranhas, um bando. Que bicho mais esquisito! Fazem uns sons assustadores e colocam o pescoção para fora. Fiquei com medo. É território delas. Parecem cachorros bravos. Alguém mencionou na hora que elas poderiam entrar no barco aí eu assustei. Depois li que não existem casos assim. 
Como disse, essa baía fica numa fazenda particular e isso tudo fica no quintal dele, já imaginou que privilégio? 


E a vegetação é belíssima. Foi divertido. Nesse dia minha amiga ganhou o Whisky do dono da fazenda. O cachorrinho, não a bebida, viu? Em 2015 fiquei quinze dias numa fazenda no Pantanal e contei AQUI. Tem mais coisas para contar dessa vez. Fica para outro dia. Adoro quando comentam, viu? 

sexta-feira, 8 de março de 2019

Paradas na beira da estrada: viajando sem pressa e comendo bem

Um casal de amigos, casados há 45 anos, passou pela minha cidade e me convidou para passear com eles. Foi bem assim: Desligue o freezer e vamos sem data para voltar! Claro que eu topei! Janeiro, um calorão danado, nenhuma consulta marcada, pronto, resolvido.  O estilo de viagem deles é curioso e divertido. Sempre viajam carregados na ida e na volta.
Levam delícias da fazenda deles que contei aqui  para os amigos e voltam comprando mudas de árvores frutíferas e flores, antiguidades e o que mais couber no carro. É muito divertido.
Meu amigo trabalhou a vida toda com obras em vários estados e por uma questão de sobrevivência acabou um craque das paradinhas na estrada que valem a pena.                                                                       
Rod. Washington Luiz - Zona Rural, Ibaté - SP, 14815-000
Enfim, saímos de São José dos Campos rumo a Campo Grande, MS. A primeira parada para comer foi para não esquecer jamais. O Porco Caipira.
Pão com Linguiça do Porco Caipira
O melhor sanduíche de linguiça que já comi. Tem suco de laranja feito na hora e um ótimo ar condicionado. Os acompanhamentos do sanduíche são deliciosos e tem um molho de pimenta muito especial.
O pão é feito lá mesmo assim como a linguiça e outros produtos de porco.
Jamones Salamanca - Catanduva
A próxima parada foi em Catanduva, no Jamones Salamanca. Jamon é um presunto natural, tipo serrano, um pernil de porco selecionado no qual só é adicionado sal, bem diferente do presunto como conhecemos. A loja de fábrica fica bem perto da rodovia. Os pais da atual proprietária da fábrica eram de Salamanca, na Espanha e adaptaram aqui, em câmaras frias, a mesma técnica artesanal de conserva usada na Espanha na época que não tinha refrigeração e precisavam conservar as carnes no sal.
Aparecida do Taboado
Em Aparecida do Taboado a dica é a farinha de mandioca Bela Vista das irmãs Fagundes. A Valceli  (67 981283450) fica no box 38 do Mercado Municipal. É coisa para se comprar bastante pois você não vai encontrar outra farinha mais honesta.
De Paranaíba para Inocência, na MS 240, Km76,  tem um posto BR. Tem um hotelzinho ao lado do posto.
Lá tem um bolinho de carne que não é bonito mas é muito gostoso.
Mais adiante, não tem como deixar de ver, o Talismã.
Talismã - Churrascaria e Artesanato
 Uma loja enorme com inúmeros produtos.
No meio de um monte de coisas de gosto duvidoso tem umas coisas muito fofas. Ficamos uns dias em Campo Grande (clique AQUI) e seguimos viagem para Mato Grosso.
São Gabriel do Oeste

 Em São Gabriel do Oeste tem outra paradinha útil, a Casa Colonial Sordi.
Casa Colonial Sordi - São Gabriel do Oeste
Fica a uns 12 km para frente de São Gabriel, do lado direito bem na
 BR 163 KM 628,3 . Lá tem bacon e defumados ótimos.

Servem também um sanduíche que ao invés do pão eles colocam polenta. Não provei mas achei a ideia ótima!
Dormimos na Chapada dos Guimarães e saindo da Chapada em direção a Cuiabá nos indicaram um restaurante de beira de estrada, o Chapadão, na BR 251. Fica a uns 35 minutos da Chapada, do lado esquerdo.
Restaurante Chapadão
Bem gostoso, com opção de mesas debaixo das árvores.

E olhem só o prato principal!  PEQUI, dessa vez na galinhada. E farofa de banana, claro.
Mercado do Porto, Cuiabá
Paramos no Mercado do Porto em Cuiabá também.

Lá dentro tem um restaurante sempre lotado. O pessoal compra o peixe fresco e eles cozinham nesse restaurante na hora. Estava muito quente e resolvemos seguir viagem.

Lindo o doce de limão que vi lá.

Na estrada entre Cáceres e Pontes e Lacerda vimos um aglomerado de caminhões. Sinal de que há um restaurante bom na estrada.
Dito e feito. Esse restaurante é ótimo. Todo mundo repetiu.
As comidinhas vão saindo na hora o tempo todo, é o maior movimento. Também tem sombra e lugar para sentar do lado de fora. A essas alturas do campeonato só caberia mesmo no carro um vidro de pimenta chumbinho divina que eles servem lá. Estávamos quase chegando.
Neste mesmo trecho, entre Cáceres e Pontes e Lacerda, existem várias barracas vendendo frutas e pequi, claro.
Meus amigos não resistiram e daí é aquela função para fazer caber tudo no carro. Chegamos ao nosso destino sem perder nenhum cacho de banana na estrada.