Virginia Costa

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Alter do Chão- O que fazer

A vila é pequena e tem aproximadamente 2.300 habitantes, a maioria descendente dos índios borarís.
O primeiro lugar que quis conhecer foi essa loja, Araribá, pois havia lido que é uma das lojas mais completas de artigos indígenas do país. 
De fato. É uma viagem pelas etnias.
 Peças muito bem escolhidas. Me disseram que o dono passa uns seis meses por ano viajando pela selva para comprar os artigos. Só o preço que não ajudou.
 As cuias pretas de Santarém. Um dos ícones da identidade cultural do Pará. Confeccionadas há séculos por índios e caboclos para beber água, tomar sopas ou mesmo para tomar banho no rio. Usam a casca da fruta da cuieira. Depois de lixada a cuia é tingida com o "cumatê", verniz natural extraído da casca da árvore conhecida como axuazeiro. A fixação é feita com urina. A amônia atua sobre a tintura do cumatê enegrecendo-a por inteiro.
A pracinha é o coração da cidade, tem a igrejinha em frente,
 um supermercado (para comprar água!!!), algumas barraquinhas onde vendem sorvetes ótimos, paçoca de castanha de cajú, tucupi no tacacá, 
vatapá e 
tem também um restaurante que é o máximo, o Arco Íris onde acabamos comendo duas vezes.
 A comida lá é diferenciada, mais gourmet. Tem umas quatro opções de peixe ou carne e esses vem com um pouquinho de oito acompanhamentos, um melhor do que o outro. 
Nesse restaurante fiquei conhecendo uma semente de palmeira incrível, a jarina. Ela é malhadinha por fora e branca como marfim por dentro. 
Nessa palmeira bem baixa, a semente leva uns vinte anos para começar a aparecer e vem dentro desse cacho aí.
 As peças são então entalhadas e usadas de maneiras diversas. Conheça mais sobre esse marfim vegetal AQUI.
Na praça, aos domingos, no fim da tarde, os borarís se juntam para tocar o carimbó. É uma música alegre com letras que falam do cotidiano local. No fim, todo mundo entra na dança, de mamando a caducando, gringos e troianos. É uma manifestação contagiante e autêntica da qual se orgulham muito.
Em ocasiões especiais, nos festivais como o Sairé, eles preparam a taboquinha. Trata-se de cachaça curtida com gengibre e colocada dentro da taboca (tipo de bambu). Eles deixam curtindo tampada com uma rolha feita de uma palmeira chamada caranã. Servem bem gelada e custa R$ 5,00. Pronto, é o ingrediente que faltava para animar a festa!
Me falaram de um hamburguer artesanal maravilhoso e eu fui provar. Local simples, cadeiras de plástico na rua e lotado. Tem gente que vem de Santarém semanalmente para comer. 
 Tem hamburguer de pirarucu, de puro bacon (covardia!), de calabresa etc. Vou contar para vocês, foi o melhor que comi na minha vida. É perfeito, úmido. Mas tem que ir mais cedo pois demora muito para servirem. 
A noite lá acaba cedo. Fica todo mundo exausto com tanto calor, água e sol. Taxis são raros, portanto, organize bem a sua volta para o hotel.

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