sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Museu Casa de Portinari e Brodowski

Sabendo o tanto que eu gosto de arte, minha amiga me levou para conhecer o Museu Casa de Portinari em Brodowski, interior de São Paulo. 
Eu havia estado lá com minha mãe em 1970 quando a casa foi considerada patrimônio histórico e artístico nacional e estadual. Só me dei conta dessas datas agora.
Que surpresa agradável ver a forma como fizeram a restauração em 2013-2014 preservando fielmente as características com alguns toques de modernidade como um painel interativo muito gostoso de acessar. Foi um belo trabalho!
Tudo permaneceu como num filme de antigamente com toda a simplicidade da vida que nossos avós tiveram o privilégio de viver. A casa fica numa praça típica de cidadezinha de interior.
A maioria das obras no interior da casa é de cunho religioso.
Nos murais ele usou várias técnicas.
Fiquei feliz por ver ônibus com estudantes conhecendo esse artista que é um orgulho nacional. A casa é muito simpática e foi pintada com o mesmo tom de amarelo que tinha originalmente.
A paixão dele pela pintura e sua religiosidade está estampada em murais por quase todas as paredes. Durante a cuidadosa restauração foi descoberto numa parede um afresco, Madona com Menino Jesus, que havia sido coberto por quinze camadas de tinta.
Ele gostava demais da avó e como ela estava tendo dificuldades de locomoção para frequentar a missa ele construiu a Capela da Nonna para ela e pintou nas paredes seus santos favoritos. Para os rostos dos santos usou como modelo alguns amigos e pessoas da família.
Em frente à casa Museu fica a Praça Cândido Portinari e a pequena Capela de Santo Antônio. A praça antes era um largo onde Portinari brincara na infância e onde os circos se instalavam na cidade. Foi inaugurada como praça em 1969 com um busto do artista.
A capela foi a primeira igreja matriz de Brodowski. No seu interior uma obra muito especial, um óleo sobre tela de Santo Antônio, seu santo padroeiro. O quadro foi pintado para cumprir uma promessa que fez pelo restabelecimento da saúde de seu único filho, João Cândido. A obra estava sofrendo com cupins e infiltrações e foi restaurada em 2003.
O rosto do santo é de um amigo. Portinari deixou no Termo de Doação do quadro que não queria que essa obra saísse desse local. A igrejinha fica fechada mas é só pedir para os funcionários do museu que eles abrem e acompanham a visita. Acho que foi minha obra favorita. A foto não consegue passar como esse quadro é bonito. 
Gostei especialmente da atenção  que tiveram tiveram na restauração ao manter no jardim as plantas que eram comuns naquela época. Me lembrou demais o jardim da casa da minha avó em Barretos.
Durante o processo de criação e pintura dos painéis Guerra e Paz, Portinari adoeceu gravemente devido à intoxicação pelas tintas. Morreu em 1962 com uma sólida carreira artística tendo pintado mais de cinco mil obras. Mais AQUI sobre a extensa obra desse artista.
E aproveitando que você foi ate lá, passe para ver a antiga estação de trem da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro inaugurada em 1894.
A cidade se Brodowski se formou a partir dessa estrada de ferro e quando a família de Portinari, que nasceu numa fazenda de café, mudou-se para a estação Brodowski, a cidade tinha só duas ruas.
Como não podia faltar, tem um coreto muito bem cuidado em frente à estação. O coreto foi inaugurado em 1922 e tem o nome de Lauro J. Almeida Pinto, um jornalista que se manteve no piso térreo do coreto de  1940 a 1982 e que mantinha um serviço de auto falante. Anunciava festas, falecimentos, encontros e desencontros. A vida girava em torno do coreto.
Próximo dali o antigo bebedouro público para os animais e um modelo do trole que é um veículo com quatro rodas e puxado por animais. Era a única maneira de ir da cidade para as fazendas. Nesse bebedouro os animais que também chegavam pelo trem,  tomavam água antes de pegar as estradas empoeiradas.
E na busca por conhecer mais obras de Cândido Portinari fomos até Batatais, ali pertinho.
No Santuário Bom Jesus da Cana Verde dos Batatais a Via Sacra foi pintada por Cândido Portinari assim como outras obras.

Retrato de José Martins de Barros, rico cafeicultor que patrocinou a produção por Portinari de 7 murais e dos 14 quadros da Via Sacra para a igreja de Batatais. Este quadro fica numa parte interna da igreja. José Martins colaborou substancialmente durante toda sua vida com o hospital da cidade, Seminário, Instituto de Menores e com o asilo para idosos além de ter fundado uma creche. Este quadro foi pintado por Portinari e acabaram se tornando muito amigos. 

.
O altar com o Bom Jesus da Cana Verde.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Mais dicas de Campos do Jordão

Desta vez parei num lugar diferente na estrada, logo na ida, na altura de Tremembé.
O que me chamou a atenção foi a horta.
O Empório Serra à Vista é muito bem construído, amplo e tem diversos espaços. Servem café da manhã daqueles caprichados nos fins de semana.
Chegando em Campos do Jordão tem uns lugares que eu faço questão de visitar todas as vezes. Um deles é o Sans Souci Bistro ou Malharia Geneve.                                                      A decoração externa e interna é sempre uma surpresa.
 Adorei esse guarda sol com pompons!                                                                          E essas meias, gente?                                                                                         Depois fui visitar o Museu do Palácio do Governo. Estive lá há muitos anos e gostei de ver como está bem conservado, muito bonito mesmo. 
A visita guiada é muito esclarecedora. Parte do palácio é o museu em si e outra parte ainda é usada para hóspedes ilustres e para o governador do estado.
Pátio interno do Museu do Palácio do Estado de São Paulo   
            Logo em frente tem O Café Palácio, muito charmoso.
Com mantinhas na decoração e uma vista linda da sacada.
Museu Felícia Leirner
Seguindo adiante na mesma estrada fui conhecer o Museu Felícia Leirner. Foi inaugurado em 1968 e tem esculturas da artista Felícia num imenso jardim.
Museu Felícia Leirner
São esculturas em bronze, cimento branco e granito. É um museu de esculturas a céu aberto.
Auditório Claudio Santoro

Fica no mesmo lugar onde é o Auditório Claudio Santoro.                                   Me aventurei numa trilha com 4x4 até Luminosa.                                                       Fui de carona, claro.

Estávamos em oito carros e foi bem mais tranquilo do que eu imaginava.  Nessas estradas, depois do tanto que choveu, só dá mesmo para passar de carro 4x4. A paisagem é belíssima. Repare na pequena Luminosa lá embaixo, no vale.
Se trocar a raça das vaquinhas a gente até acha que está na Suíça.
Paramos para almoçar no Alambique Cachaça Luminosa. 
Dona Eloá e marido estavam nos esperando com um almoço muito gostoso: torresmo, salada de banana (delícia), arroz e feijão, farofa de banana, carne com batata, linguiça, mandioca frita, frango caipira etc.

Pode-se reservar pelo (035)3641-4095. Tem muita banana boa nessa região, toda orgânica. 
O negócio lá é simples mesmo mas é assim que o povo (eu) gosta. 
 O salão é igualmente simples mas todos ficam muito a vontade. Lá tem também uma pousada que não fui conhecer. R$ 60,00 por pessoa com café da manhã e tem as cachaças no alambique.
Pelo cardápio singelo dá para se ter a ideia dos preços.
Numa outra vez fui com minha amiga até o Frutopia que é do mesmo dono do Restaurante Entre Vilas, o Rodrigo Veraldi.
Estou louca para voltar lá para almoçar no fim de semana, que é quando eles abrem.
O conceito é bem diferente, slow food, ou seja, você praticamente passa a tarde toda por lá, admirando a vista, o pomar, as parreiras, sem pressa.

Tudo que é servido é produzido lá mesmo ou vem de produtores da redondeza.

Passear pelo pomar é uma aula de botânica. Quem nos recebeu foi o Francisco,apaixonado pelo que faz, agrônomo e Chef de cozinha.
Olhem só o capricho nas parreiras!
Frutopia
Duvido que você saiba do que é essa plantação!
É lúpulo, acredita? Nunca tinha visto. Rodrigo conta AQUI como chegou até esse ponto. Tem também uma matéria no Globo repórter sobre ele AQUILogo depois que estive lá minha amiga recebeu do próprio Rodrigo um video mostrando uma oncinha no meio da plantação de lúpulo. Emocionante! 
A adega está prontinha para receber o vinho que estará pronto daqui  poucos meses. Eles vendem mudas de árvores frutíferas também e produzem mel. Tem muitas, mas muuuuitas castanheiras, árvore de kiwi, pinheiros exóticos, avelã, amora chilena e outros tipos de berries.
Essa é o sabugueiro. Fiquei enrolando para postar, esperando ir ao restaurante, mas sei lá quando vou pode ir e acho importante deixar aqui a dica, embora não tenha comida lá mas senti firmeza conhecendo o local e ouvindo de gente que foi e adorou.
Mas na hora de comer acabo sempre nesse restaurante, o Sabor da Província.
 Já falei dele em todas as postagens de Campos de Campos do Jordão.                                                                                       O primeiro prato é uma das muitas opções vegetarianas servidas lá. Esse é um hambúrguer de feijão fradinho acompanhado de omelete com ora pro nobis. O outro é nhoque com recheio de pinhão e o outro um pastel de nata maravilhoso.                                                                             
 A palha italiana é divina, mais úmida.
O travesseiro de Sintra com amêndoas é o máximo assim como a geleia de laranja com pimenta e a sardella. Ai! Quero voltar!  Tem três outros posts com dicas de Campos do Jordão, é só clicar AQUI para ver. Alguns lugares eu visito todas as vezes porque realmente gosto muito.