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Pajaki - Polônia

Lá pelos anos de 1800, durante o inverno, as mulheres na Polônia ficavam assim como nós, de castigo em casa, inventando coisa para fazer. Assim como nós hoje, sem poder sair para comprar material de artesanato, elas faziam esses enfeites para casa chamados de pajaki. 
Tinham pouca coisa disponível mas eram muito criativas. A ideia era enfeitar as festas que viriam como Páscoa, Natal, casamentos, batizados e aniversários. Uma queria fazer mais bonito que a outra. 
Usavam grão de bico como miçanga, renda, barbante, papéis coloridos, ramos ocos do talo do trigo e do centeio como se fossem canudos, palha e sementes para formar esse tipo de arandela, candelabro, não sei que nome usar para traduzir. Ao pé da letra, o significado de
pajaki é aranha de palha. 
Esse foi o primeiro que fiz, antes da pandemia. A ideia é formar uma teia apetitosa e atraente só que nela se prendem flores de papel e não insetos. Só sei que me apaixonei pela ideia na primeira vez que vi e quis experimentar. 

Esse foi o segundo. Já tive que improvisar. Queria colocar pompons mas já não tenho mais tantas lãs. É uma tradição muito antiga. Supostamente, essas "teias" trazem sorte e felicidade. Eles acham que não se deve tirar as verdadeiras teias de aranhas e tem o maior respeito por elas. Tirá-las traria má sorte. 
Peguei sementes na rua e deixei de quarentena antes de usar.
Os pajaki que vi, mais "roots" realmente formam uma teia com canudinhos. É muito interessante. 
O nome pajaki se pronuncia em português totalmente diferente do que está escrito. A propósito, nunca estive na Polônia. 
Há variedades regionais para se criar um pajaki mas o normal é se usar o que há disponível naturalmente nos vilarejos no começo da primavera.
Para criar um pajaki é necessário paciência, calma no coração e mãos firmes. Tô dentro. Levei três dias para fazer esse último mas as mulheres da época levavam semanas por que o autêntico mesmo é bem mais elaborado, com pompons de papel de seda curvados um por um, pétala por pétala, um servicinho respeitável. Usei retalhos de papel de parede, canudinho, sementes e favas que achei na rua e cortador de papel (humm, aí foi covardia). Uma coisa temos em comum, fiz o que pude com o que eu tinha disponível só que séculos depois, durante uma quarentena punk inimaginável, como um inverno sem fim.

Existem outros pajakis semelhantes em países como Lituânia, Ucrânia e Finlândia mas uma das pessoas mais craques nessa arte, a Karolina Merska afirma que os mais decorativos são da Polônia.

Comentários

HELEN disse…
QUERIDA ARTESÃ, FOI MARAVILHOSO ENCONTRÁ-LA NO MEU EMAIL.OBRIGADA PELA AULA DE CONHECIMENTOS GERAIS E ARTIGOS DESCONHECIDOS E LINDOS. NÃO ME ATREVO A FAZER MAS , SE O FIZER, ENVIAREI A
FOTO. NO MOMENTO ESTOU ESTOCANDO PORTA ALFINETES , COISAS MIUDAS. ESTOU PREGUIÇOSA E ENJOADA DESSA PANDEMIA, NÃO ME DEIXAM SAIR, VER GENTE...! UN BEIJÃO DA NOVA AMIGA, POSTE MAIS, SUAS
PEÇAS SÃO LINDAS.OBRIGADA
Rafael Nolêto disse…
Linda postagem, Virgínia! Gratidão pela partilha. É realmente raro encontrar outros artistas que trabalhem com Pajakis no Brasil. Parabéns!