Virginia Costa

domingo, 19 de fevereiro de 2017

São Bento do Sapucaí- Dicas de passeio

Tem tanta coisa para ver por lá que nem sei por onde começar. A cidadezinha fica na micro região de Campos do Jordão, a 886 metros de altitude. Deve ter uns 12 mil habitantes e tem clima semelhante a Campos.
Por essa foto dá para se ter uma ideia de como a cidade fica acomodada lá embaixo. 
Esta foto eu tirei quando fui até o pé da Ana Chata.
Essa outra eu tirei quando fui até lá em cima da Pedra do Bauzinho.Tem que aumentar para ver. 
A trilha é bem tranquila, principalmente se você for com alguém que tem o cartão de idoso (eu!!) e daí você diminui o esforço pois dá para estacionar mais adiante. Vale a pena. 
Lá de cima deu para ver uns "malucos" bem no alto da Pedra do Baú. Uma outra dica é só ir em épocas de feriado ou fins de semana porque a estrada é deserta. Se você vir vários carros subindo, tudo bem.
O complexo do Baú é formado por três montanhas de pedra: Bauzinho, Pedra do Baú e Ana Chata. 
Já no vale, a vista é outra, a estrada é cheia de cantinhos pitorescos, curvas, vaquinhas e algumas surpresas 
como esse ônibus do garapeiro sempre sorridente.
 e como essa capelinha de mosaicos em formato de bandeirinhas. Deve ser obra do Angelo Milani, um artista de lá.
Aliás, por toda a cidade tem muitos detalhes em mosaico. 
Me disseram que ele ( o Angelo) dá aulas.
Lá tem também um padre artista, o padre Ronaldo( se não me falha a memória). 
O atelier dele fica pertinho dessa igreja linda.
Ele faz peças lindas em vidro e cerâmica.

Nunca vi uma igreja tão bem cuidada. É lindinha por dentro também.
Mas voltando ao Angelo, essa foi a primeira obra dele que eu vi e achei sem querer, imagine a minha surpresa. Depois vim a saber que ele é um artista renomado internacionalmente.
Ele começou a faze-la no intuito de acrescentar mais uma opção turística para a cidade. Aos poucos as pessoas começaram a trazer os anjos e santinhos quebrados. O conjunto é encantador. A mulher dele ajudou a faze-la. 
Image result for esculturas  de angelo milani
Com uma carreira consolidada, Angelo fez exposições coletivas e individuais em vários países. Suas esculturas com recortes de compensado naval são fantásticas.
Ele mora ao lado nessa casinha que só poderia ser dele mesmo. Muito fofa.
A cidade é bem hospitaleira e o negócio é sair passeando sem rumo. Onde mais a gente encontra uma varanda com samambaias?
Conversando com as pessoas de lá fiquei sabendo do  "empadão mineiro", o irmão nobre da coxinha. É essa "bolona" aí com 99 % de recheio de frango, massa super fininha. É frito em pequenas quantidades toda hora na lanchonete da rodoviária. Estive lá dessa vez para conferir se existe ainda. Tem sim, mas o moço disse que conhece por empada frita. Não é o mesmo dono, certamente.
Almocei em dois restaurantes lá. No Grão Galo e no Taipa.
 Esse último gostei mais. 
 
A decoração é com peças antigas e a comida muito saborosa. Ambos por quilo. 
Também encontrei esse Museu do Cinema! Super caprichado. O dono da casa garimpou tudo sozinho e organizou ele mesmo. Tem peças fantásticas por lá. 
Ele passa filmes de graça e o museu foi crescendo tanto que ele mora nos fundos. 
Eu não sou uma apaixonada por cinema mas para quem gosta dá para ficar um tempão lá conversando com ele.
Já passei um Carnaval lá e é como antigamente, muito gostoso, bem família, muitas crianças, todo mundo na rua principal, os bombeiros jogam água no povo para refrescar e tem os bonecões que fazem o maior sucesso. Esses aí eu vi agora, antes do Carnaval.
Um passeio imperdível é o Bairro do Quilombo, um espaço para artesanato de raiz e resgate de cultura.O povoado data de mais de 200 anos atrás, quando primeiro se formaram as comunidades de escravos fugidos . As festas promovidas no bairro são animadas por danças folclóricas dos escravos, música, poemas, missas cantadas, comidas,enfim, com nossa própria história.
Foi lá que conheci o atelier de Ditinho Joana, ex-lavrador que abandonou enxada e foice por ferramentas de esculpir. Iniciou seu trabalho de escultor em 1976 procurando dar forma a um pedaço de raiz que ele próprio encontrou ao capinar. Ele registra com muita sensibilidade a comunidade rural. Autodidata, percebeu que poderia transformar pedaços de madeira utilizando apenas canivete, machadinha e formão improvisados por ele próprio.
Image result for botinas do dito joana
 Ainda hoje, usando as mesmas ferramentas, executa suas esculturas em um único bloco, isto é, sem encaixes ou colagens, somente esculpidas em madeira de lei como o Jacarandá e Pereira. Retirando a casca e a madeira, utiliza apenas o cerne, que por sua rigidez, impede a formação de trincas e carunchos que danificariam suas esculturas. Profundo conhecedor dos antigos aspectos e costumes da vida rural, transmitiu ao seu filho Adriano Joana todo seu conhecimento e técnica. Seus trabalhos foram levados para o exterior através de Gianni Gelleni, editor de artes da Bréscia, Itália.
No cartão de visita do Ditinho está escrito: A botinha representa a nossa caminhada da vida. Subi e desci. Andei depressa e devagar. Cansei e descansei. Entristeci e me alegrei, e assim sempre caminhei. Hoje estou gasta e cheia de marcas, mas com certeza valeu a pena.
Related image
Ditinho Joana retrata em suas peças o povo antigo da região e suas atividades de trabalho, entre elas, os engenhos de cana-de-açúcar, os alambiques e ainda a bota, ícone da cultura caipira. "As botas, apesar de serem peças menores, são as que fazem mais sucesso. Feita meio rasgada e bem usada, ela demonstra as marcas do sofrimento do trabalhador rural." Ditinho adora uma prosa e o atelier é muito bonito.
Daí eu vi no Restaurante Trincheira, que fica na Pousada Quilombo, essa linda miniatura de pizzaria. Muito realista, charmosa e ainda por cima animada. O artista é Roberto da Rocha.
Nem vou falar de hospedagem na região. São inúmeras as opções para todos os bolsos.
Na Pousada do Quilombo fica o MUSEU DA REVOLUÇÃO DE 32 Estrutura construída em pau-a-pique sobre uma trincheira original, nos moldes da época da Revolução Constitucionalista. Conta com fotos de eventos históricos, peças e armas. Acesso gratuito.
 Desta vez fomos na Cachoeira dos Amores, fica bem perto da cidade, na estrada para o Paiol Grande que ainda existe, sabiam? Era um sonho de infância passar férias nesse acampamento.
Em algumas cachoeiras os donos cobram para entrar. Essa custou R$ 5,00. Tem vários locais para nadar mas sempre tem que tomar muito cuidado pois não tem a menor segurança. 
Mas vale a pena, não tem nada mais revigorante que uma surra da ducha fria. Tem várias na região.
Um detalhe, nunca vi tanta variedade de borboletas na minha vida. Essas são as que eu consegui mas haviam outras enormes das mais variadas cores.
Um leitor me falou também do Quim Costa que faz carros de boi de forma artesanal. Soube que ele faleceu e que o filho fez um pequeno museu. Vai ficar para a próxima.
Eu fiz uma barberagem e perdi as fotos que tinha do Bairro do Quilombo. Vou ter que voltar para registrar rsrsr.

Nenhum comentário: