Virginia Costa

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Campo Grande- O que ver, o que comer e fazer.

Campo Grande foi fundada há mais de 100 anos. Primeiro chegaram os colonizadores descendentes de portugueses, de Minas Gerais. Depois, no início do século, vieram os imigrantes de outros países começando com os libaneses, armênios e japoneses. Mais recentemente, na década de 70, os gaúchos, catarinenses e paranaenses.
A cidade hoje está linda e praticamente irreconhecível, condomínios novos,
Casas lindas.
 
Não conhecia o trabalho do Luis Pedro Scalise, responsável pelas belas fachadas das lojas de primeira linha e pela decoração de incríveis bares temáticos. Se tiverem a oportunidade, no mínimo passem em frente à Valley Thai, Valley Pub e pesquisem sobre o trabalho brilhante desse arquiteto. A noite é animadíssima na Avenida Afonso Pena. Dá gosto de ver! E foi só isso que fiz mesmo, rsrsr, passei de carro para ver o movimento. 
Outro detalhe, muitas araras e tucanos voando sobre a cidade. Essas aves MORAM na cidade! Isso por causa de gente muito especial envolvida nessa luta. A boa notícia é que é visível e muito audível essa permanência delas na cidade, hehehe, nem consegui cochilar uma tarde. 
 
No fundo, embora moderna, Campo Grande ainda tem um restinho da sua essência, digamos,fazendeira. Minha origem é pecuária e Campo Grande agora é, pelo que vi, voltada mais para a agricultura, mais precisamente para o plantio da soja. O pessoal do Sul do Brasil chegou com tudo e veio para ficar. Com eles vieram suas tradições também. A chegada desse pessoal trouxe muito dinheiro para a região e mudou muita coisa, desde a comida, a música e até a geografia. Onde eu via pastos com gado, hoje vejo horas de plantações. Na noite, onde se ouvia guarânias e polcas paraguaias, hoje se ouve vanerão e xote. Gosto dessas músicas também mas me bateu uma saudade danada das serenatas em guarany. O progresso, a ordem das coisas é assim mesmo. Me policio para aceitar. É como um polvo com seus tentáculos. 
 Bom, visitei uma loja especializada em produtos do avestruz.
Impressionante a quantidade de coisas que dá para se fazer com ela! Dá vontade de comprar umas matrizes e começar um novo negócio! 
Uma coisa que chama a atenção em Campo Grande é seu planejamento moderno. Lá só tem ruas largas e para onde se olha dá para ver o horizonte. O céu parece que é maior.
Com esse céu todo, muita gente de lá jura ter visto O.V.N.I.s A Revista UFO, uma das mais antigas do gênero no mundo, é publicada em Campo Grande. O fundador, Gevaerd, foi meu aluno de alemão. Imaginem que papo ótimo ele tem! Acho que hoje só tem a edição digital, mas enfim, nos anos oitenta, no estádio Pedro Pedrossian (Morenão), durante um jogo noturno, jogadores, jornalistas e a torcida foram surpreendidos por uma roda de fogo que pairava sobre o estádio soltando um intenso facho de luz. O objeto voador não identificado evoluiu no céu e desapareceu segundos depois. 
Embora nenhuma câmera tivesse conseguido registrar a cena, todos os presentes ficaram muito impressionados. O mistério ficou até hoje sem explicação.Naquela noite, 24.575 pessoas que assistiam ao jogo viram o OVNI, se tratando assim de um recorde mundial de testemunhas para a aparição de um objeto anômalo no céu. A foto acima eu peguei da net só para ilustrar.
Adorei comer de novo algumas das especialidades da culinária regional como a sopa paraguaia (de sopa não tem nada, está mais para um bolo salgado de milho com queijo) e a chipa (um primo do pão de queijo em forma de meia lua). A sopa paraguaia é simples e deliciosa.
Lá tem farinha de mandioca de verdade, tipo bijú, feita no tacho. E ainda vem com cebola fininha bem douradinha!
O povo de lá é louco por carne! E eu sou louca pela linguiça de Maracajú. Fiz um post só sobre essa delícia AQUI. Ah, e só lá tem uma mandioca cozida amarelada que desmancha na boca. Não tem nada igual nesse mundo. 
Um programa muito gostoso é ir de noite à Feira Central pra comer sobá, prato já esquecido na sua própria origem, a ilha de Okinawa, e preservado aqui.
 É servido numa tigela e coloca-se primeiro o macarrão caseiro, depois ovo tipo omelete em tirinhas, cebolinha picada, pedaços de carne de porco cozida e frita em cima e, por último, o caldo especial de carne bovina, suína e frango com temperos.Tem também o caldo de piranha, o pacu, o dourado... uma infinidade de delícias.  A feira antigamente era na rua e agora fica em novo local, na esplanada da ferrovia. Todos os 248 feirantes participaram do projeto. 
Tem várias barracas e a que eu não recomendo é a da Anésia. 
A Cidade Morena (por causa da cor de sua terra) tem uma forte relação com a cultura indígena. Na Casa do Artesão encontra-se o artesanato das tribos indígenas e de artistas da região. É comprar ou lamentar mais tarde por que você não vai encontrar em lugar nenhum. 
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Os potes coloridos são da tribo Kadiwéu. A matéria prima do trabalho deles é encontrada em barreiros especiais que contêm o barro na consistência e tonalidade ideais para que a cerâmica seja durável. O preto é extraído da resina fervida do pau santo. O vermelho provém do urucum. Os kadiwéu são conhecidos como "índios cavaleiros", por sua destreza na montaria. Agora me ocorreu que minha amiga me mostrou do carro, de longe, uma escultura tamanho natural de um índio montado num cavalo de uma forma diferente, de forma que ele fica meio escondido e que devido à essa habilidade deles, venceram uma batalha. Mas isso eu teria que pesquisar melhor. De qualquer forma achei super interessante e a escultura está lá, no Parque das Nações Indígenas.
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A cerâmica da etnia terena já tem outro padrão. É feita em argila e depois vai ao forno. Eles tem conhecimento de agricultura e facilidade na adaptação a outras etnias e às condições de trabalho dos brancos, como na construção da ferrovia Noroeste no MS. A cerâmica é trabalho predominantemente feminino. Em dia que se vai fazer cerâmica não se vai para a cozinha ( "o sal é inimigo do barro"). Não trabalham com barro quando estão menstruadas e nem durante a lua nova. Os homens, tradição na maioria das nações indígenas, só extraem o barro e processam a queima, tarefas que exigem maior vigor físico. Tem também os famoso bugres da Conceição que hoje são feitos pelo seu neto da mesma forma, na machadinha e com uma camada de cera de abelha. Tem artesanato em osso, lindo. Parece marfim. 

Parque das Nações Indígenas, lindo, bem cuidado, tem museu, lago e concha acústica. Foram encontrados ali restos de povos pré-colombianos. 
Nestes 119 hectares dá pra ver capivaras, quatis, tucanos, lebres etc.
Agora, no Mercado Central, o pessoal vai para comer geléia de mocotó, tomar suco de guaraná natural e saborear pastéis bem diferentes. 
 Reparem nos sabores: Carne seca com mandioca, avestruz com queijo, pastel de jacaré, pacu com queijo, carne seca com banana e ainda servem sarravulho.
 A maioria dos comerciantes é descendente de japoneses.
 E eu tive o capricho e gulodice de trazer dois pacotes de carne seca a vácuo. É maravilhosa. Dá até para comer crua. 
 
 Fumo de rolo. Me lembra tanto meu avô Totó querido! Lá tem tudo para suprir as necessidades básicas de um peão: berrantes, botinas, facas de todos os tipos e tamanhos. 
 Também tem tudo que é preciso para se fazer um autentico tereré: a erva-mate, as guampas e bombas. tereré é uma versão do chimarrão gaúcho só que com algumas diferenças fundamentais. A constituição da erva do tereré é de 50% de folhas e 50% de galhos (finos) da sua árvore, enquanto a do chimarrão é de 70% de folhas e 30% de galhos (muito finos)É tomado com água gelada e a erva é menos processada, menos moída e, portanto, a bomba tem buracos maiores do que a do sul. Ele é servido na guampa, que é o chifre do boi cortado.
O tereré é passado de mão em mão em todas as classes sociais e o ritual é levado muito a sério.
 Por tradição, em uma roda de tereré, deve-se servir o tereré em sentido anti-horário, devido ao movimento feito pelos laçadores. Alguns Mandamentos. Não mexer na bomba. Não colocar açúcar. Não dizer que é anti-higiênico. Não deixar um tereré pela metade. Tomar até escutar o “ronco”, ao final do tereré. Jamais chamar a guampa de cuia. Não alterar a ordem em que o tereré é servido. Não demorar com a guampa na mão.Uma corrente diz que esses peões (pantaneiros) tomam o tereré, porque a água do pantanal e imediações é salobra e com a erva esse gosto é amenizado.
Na frente do Mercadão fica a Feira Indígena,
onde as índias terena vendem produtos trazidos de sua tribo: mandioca, milho verde, feijão verde, pimenta, guavira, pequi, sagu, urucum e guariroba, que é um palmito mais amargo, diferente do da Mata Atlântica.
Já em casa, a mãe da minha amiga, 84 anos, preparando ela mesma a guariroba que tem que ser picada miudinha em água com limão. A propósito, ela mesma plantou essas guarirobas assim como vez diversas compotas de mini pepinos e a linguiça artesanal. Ela é um exemplo de dinamismo. Não fica parada!
 
E para encerrar a comilança, passe na esfiha do Thomaz, ali perto do Mercadão. Tem sempre quentinha, são boas e baratas e ele tem um sistema de cobrança na confiança, sem boleto.

Para fechar com chave de ouro pergunte pelos conjuntos de musica paraguaia. você vai se encantar com a guarânias e polcas.
Me falaram também de um rodízio de pizza que é excelente lá: Don Pauligi.

2 comentários:

lis vissotto disse...

Meu Deus, viajei junto! Quantas curiosidades! Me deu água na boca pra provar a mandioca e o prato japonês!E o artesanato indígena, que lindo! Agora vou colocar Campo Grande na minha wish list! Parabéns ! Como sempre um ótimo e útil relato das suas viagens! Bj

Mabel Junqueira disse...

Parabéns Virgínia, viajei junto com seu relato!!!
Agora só resta programar e ir conhecer
Campo Grande!!!!