Quis visitar o México por três
motivos: precisava de novas imagens para pintar, snorkerl e conhecer mais sobre
o Dia de Muertos. Sei que soa estranho mas tenho meus motivos e queria ver de
perto este outro enfoque, completamente diferente do nosso. Cancún não é um
lugar muito tradicional mas mesmo assim vi os altares de "ofrendas"
em quase todas as lojas, praças e numa casa que visitei em Cozumel. Também
pesquisei um pouco sobre o assunto e vou tentar resumir.
As pessoas começam a se preparar para a
data na terceira semana de Outubro com a colheita da flor cempasuchitl também
conhecida como flor das vinte pétalas ou flôr dos mortos (esta de cor
alaranjada) e é vendida no mercado para onde a família vai para comprar tudo que
precisam para preparar o altar. Nele, colocarão as "ofrendas" de
frutas e pratos especialmente preparados para que as almas sintam a essência do
aroma do alimento.
Este altar também terá algum item que algum dia pertenceu ao
falecido, luz das velas, açúcar, o tradicional "Pan de Muertos" e coisas
que o falecido gostava. Vi tequila e cigarro, por exemplo.
Este costume estabelecido por civilizações
pré-coloniais mexicanas se tornou uma cerimônia onde crenças indígenas acabaram
se misturando com as católicas. O Dia de Finados no México, portanto, não é um
dia de lamentações mas sim uma celebração alegre e colorida quando a morte
adquire uma expressão amigável e até animada.
Os indígenas acreditavam que as almas não morriam, que continuavam a viver em Mictlan, um lugar especial para o descanso. Neste lugar os espíritos descansam até o dia em que poderiam voltar às suas casas para visitar os parentes. Daí então os altares para esperar por eles.
Este altar eu fotografei na praça central de Cozumel. Antes da chegada dos espanhóis eles celebravam a volta das almas entre julho e agosto. Os espanhóis mudaram as festividades para que coincidisse com o dia 2 de novembro da igreja católica.
Este altar vi dentro de uma casa onde almocei. A dona me mostrou as fotos dos mortos da família e explicou melhor sobre o altar. Foi o mais "feinho" que vi mas o mais comovente. Sinceramente, eu adorei a ideia. No Brasil eu nunca vou ao cemitério e desta forma particular, acho que eu encaro.
Também é tempo de fazer brincadeiras e rir da morte através das "calaveras" e poesias que fazem referência a alguém em particular, geralmente políticos. É tempo de chocolate e caveiras de amaranto que são trocadas entre amigos com o nome deles para que "comam a própria morte" e também artesanatos especiais que representam os diferentes aspectos da vida com os esqueletos representando as atividades diárias.
O dia primeiro é dedicado às crianças e em muitas cidades fazem o ritual da Vigília dos Anjinhos no cemitério. O Dia de Muertos é um dia de reflexão sobre o significado da vida e sobre a missão que viemos cumprir. A morte trás consigo uma sensação de dor e perda, particularmente para aqueles que não sabem o objetivo de sua passagem pelo plano terreno.
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