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Espanha- Setenil de las Bodegas, onde o céu é feito de pedra

Setenil de las Bodegas, Espanha
Desde que vi a primeira imagem de Setenil de las Bodegas, fiquei muito impressionada. Quando achei uma excursão que incluía esta pequena cidade, foi o que bateu o martelo.
O caminho até lá é lindo. Montanhas, pelo menos nesta época, são muito lindas. Daí o ônibus teve que parar um pouco longe da cidade e o grupo desceu a pé. Na descida, tudo bem. Estava quente.
Espanha, Setenil de las Bodegas
Logo a seguir a gente dá de cara com a cena que eu havia sonhado ver. É realmente impactante. Daí entendi que há duas ruas principais: a Calle Cuevas del Sol e a Calle Cuevas de la Sombra. E isso é literal. Como tínhamos pouco tempo, fiz o pequeno roteiro sozinha e com muita pressa. Ao mesmo tempo queria me sentar para apreciar um café com calma. E foi o que fiz. 
Setenil de Las Bodegas, Torta de queijo com pistache
Achei um canto, pedi uma torta típica de queijo, cafezinho, cigarrinho, só curtindo este canto do mundo tão diferente. Gostaria de ter experimentado um prato de lá: a sopa de cortijo, feita com pão, aspargos silvestres e ovos. Aos poucos, carinhas conhecidas do grupo foram aparecendo. Achei que o Pueblo teria mais atrações.
Setenil de las Bodegas
A guia disse que há, sim, vários caminhos, mas não teríamos tempo para isto. Estávamos a caminho de Sevilla e ainda tínhamos parado em Ronda. O ponto mais alto da cidade abriga as ruínas de um castelo do século XII. A Torre del Homenaje é o que restou dessa fortaleza almóada. Subir até lá oferece uma perspectiva incrível de como a cidade se moldou ao relevo do desfiladeiro.
Tudo bem. Deu para sentir um gostinho. Agora...e a subida de volta para nosso ônibus? Um grupo subiu a pé.

Bom, descobrimos que tinha um trenzinho (1 euro) e, após várias negociações e disputas com um outro grupo de turistas, fomos meio lotados morro acima.
Eu seria capaz de estapear alguém se não conseguisse entrar, kakaka. 
Azeite espanhol, Agrosetenil
Ainda deu tempo de comprar azeite correndo na cooperativa Agrosetenil. A lojinha é ótima. O azeite da região da Sierra de Cádiz (onde está Setenil) é famosíssimo pelo sabor intenso. Foi a compra mais rápida que fiz na minha vida. Fui a última a entrar no ônibus. O motorista estava bravo, pois eles têm horários rígidos para dirigir e descansar. Tudo eletrônico, sabe? Não tem como fazer graça.
Fiquei feliz por ter matado uma curiosidade, mas Setenil não me emocionou tanto como imaginava.
Diferente de outras cidades históricas onde as casas foram escavadas na pedra, estilo caverna, como vi na Capadócia, em Setenil as habitações foram construídas aproveitando a erosão natural das rochas do desfiladeiro do rio Trejo.
Os moradores simplesmente fecharam a abertura externa com uma fachada e utilizaram a rocha bruta como teto e paredes naturais. Isso mantém a temperatura interna constante durante todo o ano. No fim das contas, Setenil me ensinou que a vida de viajante não é feita só de contemplação silenciosa. Às vezes, é uma corrida contra o cronômetro, uma disputa estratégica por um lugar no trenzinho e a pequena vitória de garantir um azeite local aos 45 minutos do segundo tempo.
Quanto ao nome tão diferente: Setenil vem da expressão latina Septem nihil (sete vezes nada). Reza a lenda que os cristãos tentaram conquistar a cidade sete vezes antes de finalmente conseguirem retomar o controle dos mouros em 1484. De las Bodegas refere-se às antigas adegas de vinho instaladas sob as rochas, que serviam como o local perfeito para armazenar a produção devido ao frescor natural das pedras.
Saí de lá com o gosto da torta de queijo na memória e a certeza de que a engenhosidade humana não tem limites quando decide moldar-se à natureza. Afinal, não é todo dia que a gente toma um café com o céu feito de pedra sobre a cabeça e segue viagem sabendo que o mundo sempre guarda uma surpresa escondida que pode estar, literalmente, debaixo de uma pedra.

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