São Luiz do Paraitinga não tem só carnaval animado e marchinhas famosas! O povo de lá adora uma festa. Tem festa do Saci, do prato Afogado, da rainha do rodeio, a Semana de Elpídio dos Santos...Nem bem celebraram o Corpus Christi e a cidadezinha já está trocando de roupa. No Corpus Christi, a cidade faz aqueles tapetes lindos de serragem com desenhos religiosos. Hoje ainda dá para ver nas fachadas o que restou desta homenagem nas janelas impecáveis. Já no Mercado Municipal, a decoração é de festa junina. Vai acontecer o Arraiá do Chi Pul Pul, uma dança folclórica típica.O Mercado original foi inaugurado em 1902 e levou 27 anos para ser construído.
Na enchente de 2010, foi gravemente atingido pelas águas que chegaram a 12 metros de altura. Hoje está de novo charmoso e pronto para os eventos que acontecem em seu pátio interno.
Nos corredores laterais com arcos, há lojinhas de artesanato e produtos agrícolas. Sinceramente, o de Paraibuna, que contei AQUI é bem mais animado.
O rio Paraitinga corre tranquilo logo atrás do mercado.
Ali perto há muitas coisas para visitar.Uma padaria charmosa com um dos famosos bonecões bem na entrada. Bons restaurantes e cafés. Entrei em alguns para conhecer.
O Cantinho dos Amigos é bem popular. Muito espaçoso, serve pizza à noite e tem um fogão a lenha com buffet na hora do almoço. É charmosinho.
Na mesma rua há um antiquário bem interessante chamado Empório da Miota. Uma das donas me contou rapidamente a história da Miota, que é um personagem de livro. Vou pesquisar melhor, porque achei muito interessante. Eu, que adoro uma antiguidade, tive que me controlar ali.Mas a coisa mais charmosa que visitei foi a Capela de Nossa Senhora das Mercês. É uma pinturinha.
Delicada, com um tom de azul encantador.No altar está uma das duas únicas imagens no Brasil da Virgem grávida. É muito delicada e linda.O altar é de madeira e as paredes tinham sido feitas de taipa de pilão em 1814. Isso fez com que não resistissem à força da enchente.O barro das paredes foi amolecendo e a estrutura desabou quase por inteiro. A imagem original de Nossa Senhora das Mercês, esculpida em terracota no século XIX, foi um dos poucos tesouros históricos resgatados intactos pelos moradores e técnicos em meio à lama.
Os próprios cidadãos de São Luiz do Paraitinga montaram uma "brigada de salvamento" para escavar os escombros voluntariamente, limpando e separando cada pedaço de material remanescente.
Repare que na rua em frente, o calçamento foi feito por escravos com pedras do rio Paraitinga.
Subindo a ladeira, lá em cima fica a casa onde nasceu e viveu até os cinco anos o famoso sanitarista Dr. Oswaldo Cruz.Para quem não se lembra, ele fez uma verdadeira revolução na saúde pública brasileira com o controle e a erradicação de grandes epidemias urbanas. Febre amarela, peste bubônica e varíola assolavam o Rio de Janeiro no início do século XX. A casa hoje abriga um museu da cidade. Lá mostram um pouco sobre as marchinhas e os blocos de carnaval. Também contam sobre os diversos tipos de Saci, que eu nem sabia que existiam no nosso folclore.Subindo um pouquinho mais a ladeira, pouco mesmo, a gente vê umas casinhas coloridas bem ao lado da Capela de Nossa Senhora do Rosário. Uma belezinha colorida.Conheci uma moradora que estava "quentando sol" ali e batemos um longo papo. Visitei até uma das casinhas por dentro.Bem na frente fica a Capela de Nossa Senhora do Rosário, que foi inaugurada originalmente em 3 de maio de 1883. Foi inteiramente erguida graças às doações, ao esforço e à mão de obra de ex-escravos e negros livres da região. Como as elites locais da época frequentavam a Igreja Matriz, a comunidade negra construiu seu próprio templo no topo do morro.
O local tornou-se o porto seguro para a preservação de suas identidades, fé e manifestações culturais, como o Congado e as homenagens a São Benedito.
Curiosamente ela desempenhou um papel crucial logo após o fatídico 1º de janeiro de 2010. Tornou-se o QG e a "Catedral Provisória". Por sua posição lá no alto, foi um dos pouquíssimos monumentos históricos a passar totalmente ileso pelas águas da enchente. Foi justamente no largo da Capela do Rosário que o padre local celebrou a primeira e emocionante missa campal pós-tragédia. Ali, em meio ao barro que cobria o restante da cidade, a população se reuniu para cantar e encontrar forças para iniciar a reconstrução do município.A igrejinha que nasceu no século XIX a partir do esforço de uma comunidade marginalizada subindo a ladeira tornou-se, mais de um século depois, o ponto mais alto de refúgio e o símbolo máximo de renascimento para todos os cidadãos luizenses.
Não vou me ater aqui ao incansável trabalho de restauração de tudo o que foi encontrado. É admirável e tem muitas curiosidades, como uma cápsula do tempo de 1904 e diversos documentos históricos. Eu não fazia ideia. Nunca tinha parado para pensar nisso. Na época, foi mais uma triste história que vi no noticiário. A cena chocante da Igreja Matriz de São Luiz de Tolosa literalmente se desmanchando, com a torre tombando, é algo que poucos conseguem esquecer. Gostei deste mural pintado numa pracinha no centro histórico. Ele retrata o grupo de praticantes de rafting que, na época, não hesitou em sair com os botes infláveis para resgatar pessoas isoladas. Salvaram muitas vidas. Na verdade, só uma pessoa morreu.No alto do mural há a marca de até onde a água chegou. A verdade é que todos se mobilizaram muito rápido. Dei mais uma voltinha pelo centro para admirar os casarões. A cidade tem mais de 450 casarões coloniais e do século XIX tombados pelo IPHAN. Dá vontade de fotografar todos. Era horário de missa.Depois que ela acabou, entrei para ver o trabalho de restauro. Muito bem feito e apresentado de forma bem didática. Impressionante a largura das paredes antigas.Espiei mais uns restaurantes e cafés. Acabei comendo num que eu tinha que conhecer, principalmente pelo nome: Mai Será o Binidito? Comi um escondidinho de carne seca com abóbora, gratinado. Delícia! Sobrou metade para levar de marmitinha.Também trouxe uma cachaça da região, pasteizinhos com massa de milho congelados e um pedaço da minha torta predileta, abacaxi com coco. Tudo muito bom. Faltou conhecer o Museu Encuca a Cuca, focado na lenda e na exposição dos bonecos folclóricos, como o Bicho Papão e a Cuca.Consegui ir e voltar dirigindo sozinha. Na ida, na Tamoios, parei no "O Rei da Calabresa".O sanduíche estava gostoso, não o melhor que já comi, mas precisava parar um pouco. Tinha uma galinha linda passeando entre as mesas e uns coelhinhos no jardim. O lugar não é bonito, mas valeu a pausa. Muita neblina nessa época, logo cedo quando saí. Não enxergava nada, muito menos o GPS, mas gostei que mantive a calma. Nessa idade,71, vivo me desafiando, com muita prudência. Não quero deixar de fazer meus passeios sozinha, mas tenho muito medo de tudo. Por enquanto, tudo bem.
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| Mercado Municipal de São Luiz do Paraitinga |
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| Mercado Municipal de São Luiz do Paraitinga |
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| Rio Paraitinga |
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| São Luiz do Paraitinga, SP. |
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| Cantinho dos Amigos Restaurante e Pizzaria |
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| Empório da Miota |
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| Capela Nossa Senhora das Mercês, São Luiz do Paraitinga. |
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| Imagem de Nossa Senhora grávida. |
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| Ladeira das Mercês em São Luiz do Paraitinga |
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| Casarão de 1834 |
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| Capela Nossa Senhora do Rosario |
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| Altar da capela |
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| Igreja Matriz de São Luiz de Tolosa |






















































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